FGC vai desembolsar bilhões para cobrir depósitos após fechamento do banco digital
Liquidação do Will Bank aciona Fundo Garantidor de Créditos e pode elevar contribuições dos bancos, segundo Moody's.
A liquidação do Will Bank pelo Banco Central em 21 de janeiro de 2026 trouxe à tona impactos financeiros significativos para o sistema bancário brasileiro. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado para cobrir cerca de R$ 46,9 bilhões em depósitos garantidos dos clientes do Will Bank e do Banco Master, seu controlador, o que representa aproximadamente um terço da liquidez total do FGC, avaliada em R$ 121 bilhões em junho de 2025.
Fundo Garantidor de Créditos sob pressão
O FGC enfrenta agora o desafio de recompor seu caixa para manter o nível mínimo de liquidez exigido, que é de 2,5% dos depósitos segurados. Após os pagamentos devidos, estima-se um déficit próximo de R$ 55 bilhões em relação a esse patamar. Para isso, os bancos integrantes do sistema financeiro, principalmente as maiores instituições — Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Caixa e BTG Pactual —, que detêm 75% dos depósitos protegidos, terão que aumentar suas contribuições ao fundo.
Impactos para o sistema bancário
De acordo com relatório da agência Moody’s Brasil, o sistema bancário brasileiro tem capacidade para absorver esse impacto financeiro, porém isso ocorrerá com custos. A pressão sobre a liquidez dos bancos pode reduzir seus resultados operacionais, ao mesmo tempo em que o aumento das contribuições ao FGC representa um custo adicional relevante.
Os bancos médios, que possuem menor capacidade de absorção de choques, devem sentir o efeito de forma mais intensa, gerando maior cautela entre investidores. No entanto, a expectativa de moderação na concessão de crédito em 2026 pode aliviar essas pressões, diminuindo as necessidades de captação e fortalecendo a liquidez dessas instituições.
Medidas para recomposição do FGC
Entre as estratégias propostas para recompor o fundo, destaca-se a antecipação das contribuições futuras e a aplicação de uma sobretaxa temporária de até 50% sobre a contribuição ordinária dos bancos. Essa medida será mantida até que o FGC alcance novamente o nível de liquidez considerado seguro.
Além disso, revisões na metodologia de cálculo de contribuições para o FGC, realizada a cada quatro anos pelo Banco Central junto ao fundo, podem indicar custos estruturais maiores, sobretudo para os bancos menores que utilizam com maior frequência a proteção do fundo.
Perspectivas para os bancos menores
Os bancos de menor porte, que dependem mais intensamente do FGC para garantir seus depósitos, poderão enfrentar aumentos expressivos nos custos operacionais decorrentes dessas mudanças. Isso pode alterar o equilíbrio competitivo do setor, exigindo maior eficiência e cautela na gestão de riscos.
Cenário e desdobramentos
A liquidação do Will Bank é um evento raro e de grande impacto no sistema financeiro nacional. Embora o sistema seja considerado capaz de absorver os custos, o episódio ressalta a importância da gestão prudencial e da supervisão regulatória para evitar efeitos sistêmicos mais graves.
A movimentação do FGC e a resposta dos bancos serão acompanhadas de perto pelo mercado e pelas autoridades para garantir a estabilidade financeira e a confiança dos depositantes.

Foto: Montagem Canva Pro/ Seu Dinheiro
Fonte: www.moneytimes.com.br
Fonte: Montagem Canva Pro/ Seu Dinheiro