Trump provoca revolta entre aliados da Otan por comentários sobre guerra no Afeganistão

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Declarações do ex-presidente geram críticas de veteranos, políticos e famílias de militares aliados

Comentários de Trump minimizando o papel dos aliados da Otan na guerra do Afeganistão causam indignação entre veteranos e familiares dos mortos.

Donald Trump provocou uma onda de indignação entre os aliados da Otan ao desmerecer o papel dos parceiros na guerra do Afeganistão, conflito que durou duas décadas e custou milhares de vidas. Em declarações recentes, Trump afirmou que os Estados Unidos “nunca precisaram” dos aliados da Otan e que as tropas destes ficaram “um pouco afastadas das linhas de frente” durante a campanha.

Repercussão entre veteranos e autoridades europeias

Alistair Carns, ministro das Forças Armadas do Reino Unido e veterano que cumpriu cinco turnos no Afeganistão ao lado de soldados americanos, publicou um vídeo nas redes sociais em resposta ao ex-presidente. Carns destacou o sofrimento compartilhado, lembrando que “derramamos sangue, suor e lágrimas juntos, e nem todos voltaram para casa”. Ele ressaltou que os laços forjados no conflito protegiam não apenas interesses comuns, mas a democracia global.

Mais de 2.200 soldados americanos morreram no Afeganistão, enquanto o Reino Unido perdeu 457, o Canadá 150, a França 90 e a Dinamarca 44, números que demonstram o alto preço pago pelos aliados. Carns também citou provérbios militares sobre a importância da cooperação entre aliados, enfatizando que se deve estar “sempre lado a lado”.

O primeiro-ministro britânico Keir Starmer classificou como “erradas” as afirmações de Trump e exigiu um pedido de desculpas. Em declaração posterior, Starmer chamou os comentários de “insultantes e francamente inaceitáveis”.

Roman Polko, general aposentado polonês que serviu no Afeganistão e no Iraque, disse que Trump “ultrapassou uma linha vermelha” e lembrou que os aliados pagaram com sangue por essa aliança. Para ele, os comentários foram uma afronta à memória dos que sacrificaram suas vidas.

Impacto nas famílias dos soldados mortos

Lucy Aldridge, mãe do soldado britânico mais jovem morto no Afeganistão, expressou profunda revolta. Seu filho William Aldridge, com apenas 18 anos, morreu em 2009 em um atentado a bomba enquanto salvava colegas. Ela declarou estar “profundamente ofendida e disgustada”, afirmando que as palavras de Trump ofenderam todos os membros da Otan e as famílias que perderam entes queridos.

O ex-chefe do Exército Britânico, Lord Richard Dannatt, qualificou as declarações como “escandalosas” e “factualmente incorretas”, e questionou a aptidão do ex-presidente para o cargo que ocupou. Ele também aproveitou para destacar a necessidade de a Europa investir mais em sua capacidade militar para dissuadir futuras agressões.

Defesa da Casa Branca

Em resposta às críticas, a vice-porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que “Trump está certo ao dizer que a contribuição dos EUA para a Otan supera a de outros países”, destacando o compromisso obtido para que os aliados aumentem seus gastos militares em 5%. Ela também mencionou que os Estados Unidos são os únicos capazes de proteger certas áreas, como a Groenlândia, e que o ex-presidente promove os interesses da Otan.

Essas declarações refletem a contínua tensão entre os Estados Unidos e seus aliados europeus sobre a divisão de responsabilidades dentro da aliança, mas o tom e o conteúdo das palavras de Trump geraram um mal-estar notório entre os parceiros históricos dos EUA.

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William Aldridge, soldado britânico morto no Afeganistão. Foto: s/Getty

Fonte: www.cbsnews.com

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