Como identificar Sirius e Procyon, as estrelas caninas do céu de inverno

Guia para observar as constelações Canis Major e Canis Minor durante as noites geladas

Sirius e Procyon, estrelas caninas das constelações Canis Major e Canis Minor, dominam o céu de inverno e carregam mitos e ciência fascinantes.

Durante as noites de inverno, quem observa o céu pode identificar duas constelações caninas que dominam o firmamento: Canis Major e Canis Minor. Essas constelações abrigam as estrelas Sirius e Procyon, conhecidas como as estrelas caninas mais brilhantes do céu.

Como localizar Sirius e Procyon

Se começar a observar o céu por volta das 18h, logo após o anoitecer, é possível notar uma estrela de magnitude 2 surgindo aproximadamente 30 graus ao sul do ponto do horizonte que indica o leste verdadeiro. Para medir essa distância, use o punho fechado estendido no braço, que equivale a cerca de 10 graus — assim, três punhos à direita do leste levam até Murzam, uma estrela integrante de Canis Major. Além disso, traçando uma linha imaginária que passa pelas estrelas Bellatrix e Alnitak, ambas da constelação de Orion, e estendendo-a por duas vezes seu próprio comprimento, chega-se novamente a Murzam.

Murzam, cujo nome em árabe antigo significa “roar” ou “anunciador”, surge no horizonte pouco antes de Sirius, a Estrela do Cão e a mais brilhante do céu, aparecer cerca de 17 minutos depois. Próximo a esse espetáculo celeste, Procyon, a estrela principal de Canis Minor, também se destaca por nascer aproximadamente 25 minutos antes de Sirius, motivo pelo qual seu nome significa “antes do cão” em grego.

Mitos e influências culturais das estrelas caninas

Desde tempos antigos, Sirius foi associada a diversas influências humanas e naturais. Na antiguidade, acreditava-se que ela intensificava o calor, causando secas e pragas durante o verão, especialmente nos “dias de cão” do hemisfério norte, que ocorrem em julho e agosto. Essa crença estava ligada ao fato de Sirius nascer praticamente junto com o sol nesse período.

Para os egípcios, Sirius tinha um papel essencial. Seu aparecimento heliacal, ou seja, o primeiro surgimento visível no horizonte antes do amanhecer, coincidia com a inundação anual do Nilo. Essa enchente fertilizava os campos com sedimentos e marcava o início do ano novo egípcio. Eles veneravam Sirius como a deusa Sopdet, associada à vida e à renovação, construindo templos alinhados ao ponto exato do horizonte onde a estrela surgia.

Observando as constelações e suas estrelas

Por volta das 21h30, Canis Major e Canis Minor são claramente visíveis cruzando o céu na direção sul-sudeste. A constelação do Grande Cão apresenta um padrão estelar marcante, com Sirius brilhando intensamente em um tom branco azulado. Seguindo a linha do cinturão de Orion para sudeste, chega-se facilmente a Sirius, que parece um pingente ou etiqueta no colar do cão celestial.

Além de Sirius, outras estrelas notáveis em Canis Major incluem Adhara, que forma parte do corpo do cão e está entre as estrelas mais brilhantes do céu. Canis Minor, por sua vez, é uma constelação menor, composta principalmente por Procyon e outra estrela que sugerem a cabeça e a cauda do pequeno cão.

Descobertas científicas sobre as estrelas caninas

Sirius e Procyon não são estrelas isoladas; ambas possuem companheiras anãs brancas — estrelas pequenas, densas e muito interessantes do ponto de vista astronômico. A companheira de Sirius, chamada Sirius B ou “The Pup”, tem um tamanho aproximado ao da Terra, mas uma densidade extremamente alta. Um copo contendo o material dessa estrela pesaria cerca de dez toneladas na Terra.

O conhecimento dessas estrelas companheiras remonta ao século XIX, quando o astrônomo alemão Friedrich Wilhelm Bessel observou movimentos irregulares nas trajetórias de Sirius e Procyon, sugerindo a existência de objetos invisíveis exercendo atração gravitacional. Sirius B foi observada diretamente em 1862, enquanto a anã branca de Procyon foi identificada em 1896.

A simbologia canina no céu

Historicamente, Canis Major era retratado como um cão feroz e agressivo, um companheiro do caçador Orion, que enfrenta o touro Taurus. Essa representação evoluiu ao longo dos séculos, ganhando a imagem de um cão de guarda mais dócil em atlas estelares posteriores. Canis Minor, menor e mais simples, complementa o cenário celeste com sua presença ao lado do Grande Cão, ambos correndo ao redor da Via Láctea.

Observar as estrelas Sirius e Procyon é, portanto, mais do que apenas um exercício de localizar pontos brilhantes no céu: é um convite a mergulhar na história, na mitologia e na ciência que permeiam o cosmos durante as longas noites de inverno.

Fonte: www.space.com

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