Criosfera 1 monitora clima extremo na Antártica com tecnologia brasileira

Laboratório autossustentável opera em região remota para estudar aquecimento global e dinâmica do gelo

Criosfera 1 monitora clima extremo na Antártica usando tecnologia autossustentável para estudar impacto do aquecimento global.

O Criosfera 1 monitora clima extremo na Antártica por meio de um laboratório brasileiro instalado em uma das regiões mais isoladas e menos estudadas da Antártica Ocidental. Essa iniciativa, coordenada por pesquisadores do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), busca compreender os efeitos do aquecimento global sobre o gelo, a atmosfera e a dinâmica climática do continente gelado.

Pesquisa em região remota e autossustentável

Diferentemente das estações científicas tradicionais, o Criosfera 1 está situado em uma área pouco impactada pela presença humana, ampliando a qualidade e a representatividade das medições ambientais. Concebido como uma instalação autossustentável, o laboratório funciona de forma automática durante o rigoroso inverno antártico, sendo visitado apenas no verão para manutenção e calibração de equipamentos.

Monitoramento de parâmetros ambientais essenciais

O laboratório brasileiro acompanha continuamente 32 parâmetros ambientais, como temperatura do ar, pressão atmosférica, direção e velocidade do vento, radiação solar, níveis de ultravioleta (UVA/UVB), ozônio de superfície, dióxido de carbono (CO₂), deposição de neve, aerossóis atmosféricos, carbono negro e raios cósmicos. Essas informações são cruciais para entender fenômenos como os rios atmosféricos — correntes de ar quente e úmido vindas das regiões tropicais que influenciam a perda de gelo no continente.

Neutralidade de carbono e logística desafiadora

A missão mais recente do Criosfera 1 foi pioneira ao atingir neutralidade total de emissões de carbono, incluindo as geradas pela logística de transporte para o local. A operação exige um acampamento avançado para a equipe, com barracas de dormitório, cozinha e banheiro, e atividades externas restritas a condições de vento e temperatura suportáveis para o trabalho técnico.

Visibilidade internacional e impacto climático

Além da relevância científica, o laboratório chamou atenção internacional ao receber a visita do ator Will Smith, que gravou imagens para a série documental Pole to Pole, destacando a exposição do Brasil na pesquisa antártica. Para os cientistas, a importância do Criosfera 1 é reforçada pelo papel estratégico que a Antártica desempenha no clima do Hemisfério Sul, influenciando regimes de chuva e o futuro das zonas costeiras.

Contribuições para a ciência e o futuro climático

Desde 2012, a estação meteorológica do Criosfera 1 transmite dados para redes internacionais, como a Organização Meteorológica Mundial, garantindo séries históricas contínuas mesmo no inverno rigoroso. A pesquisa realizada ajuda a acompanhar a recuperação da camada de ozônio e fornece dados essenciais para a compreensão do aquecimento global e seus desdobramentos.

Assim, o Criosfera 1 consolida-se como um observatório estratégico da Terra, unindo tecnologia brasileira e planejamento extremo em um dos ambientes mais desafiadores do planeta.

Fonte: www.metropoles.com

PUBLICIDADE

VIDEOS

Relacionadas: