Pressão política e crítica a FIFA marcam debate sobre torneio coorganizado pelos EUA, Canadá e México
Dirigente do futebol alemão defende boycott da Copa do Mundo 2026 em protesto contra políticas do presidente Donald Trump, levantando debate sobre política e esporte.
Oke Göttlich, presidente do clube alemão St. Pauli e vice da Federação Alemã de Futebol, lançou um apelo para que a Europa considere o boycott da Copa do Mundo FIFA 2026, marcada para ser coorganizada pelos Estados Unidos, Canadá e México. A proposta surge em meio a crescentes tensões diplomáticas impulsionadas pelas declarações e ações do presidente dos EUA, Donald Trump, especialmente sobre questões territoriais como a Groenlândia.
Contexto político e esportivo
Göttlich destacou em entrevista ao jornal Hamburger Morgenpost que o momento atual exige uma reflexão séria sobre a participação no torneio, comparando a situação às campanhas de boycott das Olimpíadas durante a Guerra Fria. “Considero que a ameaça potencial hoje é maior do que naquela época”, afirmou, sugerindo que o esporte não pode se dissociar da conjuntura política.
Além da crítica direta às políticas externas americanas, o dirigente questionou a postura da FIFA, presidida por Gianni Infantino, a quem acusou de aplicar critérios duplos ao lidar com questões políticas relacionadas a torneios. “Qatar foi considerado muito político, e agora somos completamente apolíticos? Isso me incomoda profundamente”, declarou.
Repercussão na Europa
A proposta de boycott não foi unânime entre autoridades europeias. Em Paris, o ministro do esporte afirmou que não há intenção de boicotar o Mundial, defendendo a separação entre esporte e política. Contudo, outras lideranças no futebol europeu têm se mostrado mais engajadas politicamente, como a presidente da federação norueguesa, Lise Klaveness, que já criticou abertamente questões de direitos humanos associadas a grandes eventos esportivos.
Impactos para jogadores e futuras discussões
Ao rebater críticas de que um boycott prejudicaria os atletas, Göttlich argumentou que a vida dos jogadores profissionais não pode ser considerada mais importante que a segurança e o bem-estar das populações afetadas pelas políticas dos países anfitriões. Ele reforçou a necessidade de um debate coletivo na Europa para avaliar o papel do esporte diante das tensões internacionais crescentes.
A proposta levanta um questionamento central sobre a imbricação entre política e futebol, especialmente no contexto do Mundial, que tradicionalmente é visto como uma celebração global do esporte. A influência dos Estados Unidos como coanfitrião e o contexto político do governo Trump ampliam as discussões sobre o uso do futebol como instrumento de soft power e sobre a responsabilidade das instituições esportivas em questões geopolíticas.
O panorama diplomático atual
As críticas e tensões decorrem também das recentes declarações do presidente Trump, que sugeriu que aliados da OTAN ficaram “fora das linhas de frente” no Afeganistão, além de movimentações estratégicas envolvendo a Groenlândia. Essas ações provocaram reação de líderes europeus e reacenderam debates sobre alianças e segurança no continente.
O cenário também inclui controvérsias judiciais na Europa e negociações trilaterais em andamento no Oriente Médio, demonstrando que o contexto externo ao futebol permanece extremamente dinâmico e complexo.
Com o Mundial se aproximando, a proposta do dirigente alemão pode estimular uma reflexão aprofundada sobre os limites entre o esporte e a política internacional, e qual postura as nações europeias desejam adotar frente a esse cenário.
Fonte: www.politico.eu
Fonte: President Trump Establishes White House Task Force for 2026 World Cup