EUA dobram deportações de brasileiros no primeiro ano de Trump 2.0

Arte Metrópoles

Política migratória dos Estados Unidos aumenta expulsões e gera denúncias de violações de direitos humanos

No primeiro ano de Trump 2.0, os EUA dobraram o número de deportações de brasileiros, com denúncias de violações e impactos sociais profundos.

Um ano após o voo inaugural de deportação na nova era Trump, os Estados Unidos dobraram o número de brasileiros expulsos do país, com impactos profundos registrados tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. A política migratória adotada desde 2025, marcada pelo endurecimento das medidas e pelo aumento das remoções, tem gerado denúncias de violações de direitos humanos e provocado um debate intenso sobre o tratamento dispensado aos imigrantes.

Contexto e números das deportações

Em 25 de janeiro de 2025, o primeiro voo com brasileiros deportados da Louisiana chegou ao Brasil, mostrando ao mundo uma nova fase da política migratória americana. Os brasileiros chegaram algemados e amarrados, com denúncias de tortura e tratamento desumano. O governo brasileiro impediu que o avião prosseguisse até o destino final, acionando a Força Aérea Brasileira para completar o trajeto.

Desde então, o volume de deportações cresceu significativamente. Dados da Polícia Federal indicam que, em 2025, 3.526 brasileiros foram expulsos dos EUA em 37 voos fretados pelo ICE, o dobro dos 1.660 deportados em 2024. O período entre 1º e 20 de janeiro de 2026 já contabilizava 104 deportações.

O ICE classifica os deportados em três grupos: condenados por crimes, acusados com processos pendentes e os chamados “violadores da imigração”, que são pessoas sem antecedentes criminais, mas em situação migratória irregular. Entre outubro de 2020 e dezembro de 2024, cerca de 287 mil ordens de remoção foram emitidas pela agência, sendo que 60% tiveram como alvo pessoas punidas apenas por infrações administrativas.

Relato de deportados e condições de detenção

O caso de Aeliton Candido de Andrade, de 34 anos, de Divinópolis (MG), ilustra a situação enfrentada. Detido em 2024 após uma confusão em um bar em Nova Jersey, mesmo sem envolvimento direto na briga, Aeliton passou um ano no centro de detenção de Moshannon Valley, na Pensilvânia, local que funciona como prisão para imigrantes sob custódia do ICE.

Ele descreve a rotina de agressividade e violência por parte dos agentes, que incluem uso excessivo de força e separação de famílias. A violência institucional aumentou nos últimos anos, com episódios de agressão física, uso de armas de impacto e agentes químicos crescendo significativamente entre 2022 e 2023.

Impactos no retorno ao Brasil

O retorno ao Brasil para muitos deportados é acompanhado por dificuldades financeiras, emocionais e psicológicas. A perda de documentos, a dificuldade para abrir contas bancárias e o desemprego são desafios constantes. Aeliton, por exemplo, está desempregado e tenta se reerguer apoiado na casa própria.

Além dos problemas práticos, há relatos de famílias desfeitas e traumas causados pela separação forçada, que ainda repercutem muito tempo após o retorno.

Tendências e debates internacionais

O aumento das deportações faz parte de uma política migratória que tem se tornado cada vez mais rígida desde o fim do primeiro mandato de Trump, mantida e intensificada durante a gestão Biden. O episódio mais recente que chamou atenção foi o assassinato da cidadã americana Renee Good por um agente do ICE em uma abordagem policial, evidenciando o clima de tensão e violência.

Este cenário reforça a urgência de discussões sobre direitos humanos, políticas migratórias e o impacto social das deportações em ambos os países, especialmente para comunidades migrantes e suas famílias.

Conclusão

A política de deportações dos EUA, que dobrou o número de brasileiros expulsos em 2025, revela um panorama de endurecimento migratório, que ultrapassa questões legais para atingir diretamente a dignidade e os direitos humanos dos imigrantes. Os relatos de violência, as dificuldades no retorno e os desafios para reinserção social compõem um quadro crítico que demanda atenção internacional e ações governamentais eficazes para garantir o respeito e a proteção às pessoas afetadas.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Arte Metrópoles

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