Enamed revela variação no desempenho dos cursos de Medicina no Brasil

m do Ministério da Educação sediado em Brasilia- Metrópoles

Apenas 15% dos cursos de Medicina atingem nota máxima no Enamed, com destaque para instituições públicas federais e estaduais

Enamed aponta que só 15% dos cursos de Medicina alcançam nota máxima, com desempenho superior em instituições públicas e variações conforme modelo administrativo.

O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) divulgado em 19 de janeiro de 2026 trouxe à tona importantes dados sobre o desempenho dos cursos de Medicina no Brasil. Entre os 351 cursos avaliados, apenas cerca de 15% alcançaram a nota máxima de conceito 5, demonstrando que a excelência no ensino médico ainda é uma exceção.

Distribuição das avaliações no Enamed

Os resultados do Enamed indicam a seguinte distribuição dos conceitos atribuídos aos cursos:

Conceito 5 (nota máxima): 48 cursos
Conceito 4: 114 cursos
Conceito 3: 80 cursos
Conceito 2: 83 cursos
Conceito 1 (nota mínima): 24 cursos
Sem conceito (menos de 10 alunos avaliados): 1 curso

A maior concentração está nas faixas intermediárias, entre os conceitos 3 e 4, que abrangem 194 graduações, enquanto os cursos com nota máxima são minoria.

Variação conforme modelo institucional

A análise adicional do desempenho revela que universidades públicas federais (21) e estaduais (18) concentram a maior parte dos cursos com nota máxima. Em contraste, instituições privadas aparecem mais frequentemente entre os conceitos mais baixos.

As universidades municipais, embora representem uma parcela pequena da oferta — apenas 8 instituições participaram do exame —, tiveram desempenho inferior, com 7 cursos atingindo notas 1 e 2, e apenas um alcançando a nota máxima, a Faculdade de Medicina de Jundiaí (SP).

Instituições classificadas como categoria administrativa especial apresentam resultados irregulares, variando desde o conceito mínimo até o máximo, evidenciando instabilidade e questionamentos sobre os critérios de avaliação e fiscalização do Ministério da Educação (MEC).

Desafios estruturais e educativos apontados

Para o conselheiro federal Estevam Rivello, 2º secretário do Conselho Federal de Medicina (CFM), os dados confirmam alertas antigos das entidades médicas. Ele destaca limitações estruturais e financeiras nas universidades municipais e a insuficiência de docentes qualificados, principalmente mestres e doutores, para atender à demanda crescente do ensino médico no país.

Rivello ressalta que muitos estudantes não têm acesso a prática em ambulatórios e hospitais, o que compromete a qualidade da formação. Ele também observa que a prova do Enamed foi unicamente teórica, sugerindo que uma avaliação prática poderia revelar resultados ainda mais preocupantes.

Reações e medidas em debate

Os resultados geraram repercussão imediata. Cerca de 30% dos cursos foram mal avaliados e podem ser alvo de sanções do MEC, incluindo restrições na ampliação de vagas e suspensão de novos contratos do Fies.

O CFM está estudando medidas para restringir a inscrição profissional de egressos de cursos com conceitos 1 e 2, com o objetivo de proteger a sociedade, ressaltando o direito à vida como princípio central da profissão médica.

Além disso, o presidente da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, Zé Vitor (PL-MG), enviou ofício ao MEC cobrando esclarecimentos e não descarta a criação de um exame nacional de proficiência para médicos, inspirado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Questões de dados e contestação

Após a divulgação, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) identificou inconsistências na base de dados do Enamed 2025 e abriu prazo para que as instituições possam contestar suas notas.

O debate em torno do Enamed evidencia a complexidade e os desafios da formação médica no Brasil, exigindo esforços integrados de políticas públicas, avaliação rigorosa e investimento em infraestrutura e qualificação docente para garantir a qualidade do ensino e a segurança da população.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: m do Ministério da Educação sediado em Brasilia- Metrópoles

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