A condenação do vereador eleito Lemuel Wilson Rodrigues (PDT) tem gerado repercussão nos bastidores da causa animal em Maringá, no Noroeste do Paraná. Sem se identificar publicamente, protetoras e ativistas comemoraram a decisão da Justiça, especialmente pelo histórico recente do parlamentar em relação ao tema.
A sentença foi proferida pela juíza de Direito substituta Daniela Palazzo Chede Bedin, da 7ª Vara Cível de Maringá, que condenou o parlamentar por dano moral coletivo. Segundo a decisão, Lemuel causou lesão à esfera moral da comunidade ao utilizar a causa animal para arrecadar, de forma irregular, contribuições por meio da internet.
De acordo com o processo, a captação irregular de doações ocorreu nos anos de 2021 e 2022. Como penalidade, a magistrada fixou multa no valor de R$ 100 mil, que deverá ser destinada ao Fundo Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Maringá (Fundema).
Além da multa, o vereador foi proibido de solicitar doações por qualquer meio digital, incluindo redes sociais como Instagram e Facebook, bem como em grupos de WhatsApp, seja por intermédio da ONG Salvando Vidas, de seu perfil pessoal ou por outros canais vinculados ao seu nome.
Conhecido por discursos frequentes na tribuna, nos quais costumava cobrar postura ética de adversários e autoridades, Lemuel agora se vê no centro de uma polêmica que contrasta com a imagem que construiu ao longo da campanha.
Durante sua atuação política, o vereador chegou a indicar cargos comissionados na Secretaria Municipal de Proteção e Bem-Estar Animal. No entanto, após a demissão de um dos indicados, passou a adotar uma postura crítica constante em relação à administração municipal.
Segundo relatos de bastidores, Lemuel também utilizava o acesso à secretaria para produzir vídeos nas redes sociais com animais em situação de vulnerabilidade, mesmo quando esses já estavam sendo acompanhados e tratados pela equipe técnica da Sebea.
Para integrantes da rede de proteção animal, que preferiram não se identificar por receio de retaliações, a condenação representa um alívio e uma resposta às práticas que, segundo elas, exploravam a causa com fins políticos e de autopromoção.
“Elas sempre trabalharam de forma voluntária, sem buscar visibilidade. O que incomodava era ver a dor dos animais sendo usada como palco”, afirmou uma protetora ouvida pela reportagem.
A reportagem procurou o vereador Lemuel Wilson Rodrigues para comentar o caso, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
O caso segue sendo acompanhado por representantes da sociedade civil, que defendem mais transparência, responsabilidade e compromisso real com a causa animal por parte dos agentes públicos.