Violência crescente expulsa comunidades beduínas e pastoris da Área C
Ataques de colonos israelenses na Cisjordânia forçam centenas de palestinos a deixarem suas aldeias, gerando um êxodo em comunidades beduínas e pastoris.
Os ataques de colonos israelenses na Cisjordânia têm provocado o êxodo de aldeias inteiras, especialmente das comunidades beduínas e pastoris localizadas na Área C, território sob controle total de Israel. Desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, a violência desses grupos extremistas contra palestinos aumentou significativamente, forçando centenas de famílias a abandonarem suas casas.
Crescimento da violência e deslocamento forçado
As Forças de Defesa de Israel (FDI) e a agência de segurança Shin Bet registraram um aumento de 27% nos ataques de colonos extremistas em 2025 em relação ao ano anterior. O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) documentou que mais de 700 famílias palestinas foram deslocadas devido aos ataques desses colonos na Cisjordânia. O grupo israelense B’Tselem alerta que pelo menos 44 comunidades já foram expulsas desde o início do conflito em Gaza.
Ras Ein el-Auja: um exemplo da crise
A aldeia palestino-beduína Ras Ein el-Auja, no sul do Vale do Jordão, exemplifica a situação dramática. No fim de 2025, colonos israelenses instalaram um posto avançado ilegal dentro da aldeia, bloqueando estradas e impedindo o acesso a recursos básicos, como tanques de água. Cerca de 130 pessoas foram obrigadas a desmontar suas casas e deixar a comunidade em janeiro de 2026, diante da insegurança crescente e dos ataques.
Impactos nas comunidades e recursos
Além do desalojo das pessoas, os ataques prejudicam a principal fonte de sustento local: a criação de animais. O confinamento dos rebanhos, ataques noturnos e o roubo de ovelhas e cabras têm causado perdas significativas para os moradores. A dificuldade para pastorear e os constantes assédios têm afetado não só os habitantes, mas também o equilíbrio social e econômico das aldeias.
Expansão dos assentamentos e postura do governo israelense
Segundo o grupo Peace Now, existem 149 assentamentos e 224 postos avançados ilegais na Cisjordânia. A expansão dos assentamentos, considerada ilegal pelo direito internacional, tem sido incentivada por governos israelenses sucessivos. O atual governo chegou a nomear colonos para cargos importantes e anunciou a criação ou legalização de novos assentamentos, além de um plano controverso conhecido como E1, que dividiria a Cisjordânia.
Reação das forças de segurança e ativismo
Embora as FDI afirmem que aumentaram a presença militar para prevenir conflitos, ativistas e moradores denunciam pouca efetividade na proteção das comunidades palestinas e pouca responsabilização dos perpetradores dos ataques. Grupos israelenses e internacionais, como os “grupos de presença protetora”, tentam acompanhar e proteger as aldeias, mas enfrentam limitações diante da violência constante e da expansão dos colonos.
Consequências para o futuro da região
O aumento dos ataques e da expansão dos assentamentos representa um obstáculo significativo para a solução do conflito e a criação de um Estado palestino, conforme apontam a maioria dos países da comunidade internacional. O êxodo das aldeias palestinas na Cisjordânia demonstra a intensificação da crise humanitária e a urgência de medidas para conter a escalada da violência e preservar a convivência na região.

Foto: Anadolu/Getty Images
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Anadolu/Getty Images