Pentágono minimiza ameaça da China e redefine prioridades para aliados dos EUA

Lago club in Palm Beach, Florida

Mudança estratégica favorece foco nas Américas e maior responsabilidade de aliados na Ásia e Europa

Pentágono minimiza ameaça da China em nova estratégia, reforçando foco nas Américas e pede mais responsabilidade dos aliados na defesa coletiva.

A estratégia nacional de defesa dos Estados Unidos para 2026, divulgada pelo Pentágono, marca uma mudança significativa na abordagem dos EUA em relação à China e seus aliados. O documento, alinhado à política do governo Trump, minimiza a percepção da China como a principal ameaça à segurança americana e desloca o foco estratégico para a defesa do território nacional e das Américas.

Mudança no foco estratégico do Pentágono

O novo documento de 34 páginas enfatiza a prioridade na defesa do “lar e hemisfério ocidental”, reduzindo a centralidade da China na estratégia militar dos EUA. O Pentágono adota quatro prioridades: defender o território americano, incentivar aliados a reduzir a dependência militar dos EUA, fortalecer as bases industriais de defesa e dissuadir a China por meio da força, não do confronto direto.

Esse reposicionamento acompanha a decisão administrativa de reforçar a Doutrina Monroe, que historicamente limita a interferência externa nas Américas, buscando restaurar a preeminência americana na região. O documento afirma que os EUA não atuarão globalmente de forma unilateral para suprir eventuais deficiências em seus aliados, exigindo que estes assumam “sua justa parte” na defesa coletiva.

Implicações para aliados asiáticos e europeus

A estratégia destaca que parceiros como Coreia do Sul e Japão devem aumentar suas responsabilidades diante das ameaças regionais, especialmente a do Norte da Coreia, cujas capacidades nucleares são ressaltadas como crescente perigo para o território americano. O documento sugere uma possível redução da presença militar americana na península coreana, enfatizando que Seul está apta para liderar sua própria defesa, com apoio limitado dos EUA.

Na Europa, a abordagem também exige que os países membros da OTAN assumam maior protagonismo na defesa convencional do continente, com os EUA oferecendo apoio crítico, porém reduzido. Isso é evidenciado pela posição de que a forte economia alemã coloca os aliados em posição favorável para liderar esforços na segurança europeia, inclusive no apoio à Ucrânia contra ameaças russas.

Relações com a China e a questão Taiwan

Embora a China não seja mais descrita como a principal ameaça, o Pentágono mantém uma postura de dissuasão baseada na força, visando evitar que qualquer potência domine os EUA ou seus aliados. A estratégia evita mencionar Taiwan explicitamente, embora reafirme a intenção de manter uma vantagem militar favorável no Indo-Pacífico, região econômica central.

A abordagem é definida como busca por “uma paz decente”, que seja aceitável para os EUA e para a China, em contraste com políticas anteriores que enfatizavam contenção e confrontação direta.

Reação dos especialistas e dos aliados

Analistas geopolíticos interpretam a nova estratégia como um esforço dos EUA para que seus aliados, especialmente na Ásia, assumam uma postura mais autônoma na segurança regional. Apesar da mudança, especialistas destacam que os EUA continuarão presentes na região, mas com menor ônus financeiro e militar.

Coreia do Sul reafirmou o valor da aliança, considerando a presença americana como pilar fundamental, porém com a expectativa de maior participação local. O presidente sul-coreano Lee Jae Myung enfatizou a necessidade de autodefesa diante do ambiente internacional instável, reforçando a busca por melhores relações econômicas e diplomáticas com a China.

Contexto político e impactos futuros

A divulgação da estratégia ocorre em meio a tensões recentes, como a tentativa de aquisição de Groenlândia por parte dos EUA e a polêmica operação na Venezuela, que reforçam uma nova orientação unilateralista e hemisférica da política externa americana.

A mudança significa um ajuste nas dinâmicas globais de segurança, onde os EUA buscam redefinir seu papel e exigir maior comprometimento dos aliados, especialmente diante dos desafios regionais e das ambições chinesas no Indo-Pacífico. Essa nova postura poderá influenciar negociações diplomáticas, alianças militares e a configuração da ordem internacional nos próximos anos.

Fonte: www.aljazeera.com

Fonte: Lago club in Palm Beach, Florida

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