Riscos do ouro em papel: por que 98% dos investidores não possuem ouro físico

Stacked gold bars (Scottsdale Mint/Unsplash/Modified by CoinDesk)

A vulnerabilidade do 'ouro em papel' e a solução dos tokens digitais lastreados em ouro físico

Entenda os riscos do ouro em papel, onde 98% dos investidores possuem títulos sem comprovação física, e como tokens digitais podem mudar esse cenário.

Os riscos do “ouro em papel” na carteira de investidores

Björn Schmidtke, CEO da Aurelion, alerta para um problema grave no mercado de ouro: 98% da exposição dos investidores refere-se a “ouro em papel”, ou seja, títulos que representam promessas de posse de ouro, mas não garantem qual barra física está efetivamente vinculada àquele investimento. Essa situação ocorre principalmente com fundos negociados em bolsa (ETFs), que facilitam a compra e venda sem a necessidade de armazenar o metal, porém criam uma ilusão de propriedade real.

A ilusão da posse física e suas consequências

Quando um investidor adquire ações de um ETF de ouro, ele acredita possuir uma parcela do metal físico. Entretanto, o que ele tem é um documento que assegura um direito genérico sobre o ouro armazenado pela instituição financeira, sem identificação do lote ou barra específica. Na prática, não há uma certidão de propriedade detalhada, apenas a confiança coletiva na solvência do emissor do título.

Essa situação é sustentável enquanto os investidores não exigem a entrega física do ouro. Porém, em eventos extremos, como uma forte desvalorização do dinheiro fiduciário, aumenta a demanda pela posse física do ouro. Nesse cenário, a falta de evidência clara sobre qual investidor possui qual barra pode resultar em gargalos logísticos insolúveis, atrasos e até rupturas no mercado.

Crises anteriores e o paralelo com o mercado da prata

Schmidtke destaca que já foram observados fenômenos semelhantes no mercado da prata, onde o prêmio do metal físico disparou, enquanto o preço das opções e contratos futuros não acompanhou o aumento. Isso indicou uma tensão entre a posse real e a posse representada por papéis, um sinal do risco latente também presente no mercado do ouro.

A tokenização do ouro como solução inovadora

Para mitigar esses riscos, a Aurelion adotou o Tether Gold (XAUT), um token digital baseado em blockchain lastreado por barras físicas de ouro armazenadas em cofres na Suíça. Cada token está vinculado a uma barra específica, com direito legal de resgate e rastreabilidade.

Esse modelo elimina o gargalo da entrega física imediata ao permitir que a transferência de propriedade seja feita digitalmente em segundos, por meio da blockchain, trazendo transparência e segurança jurídica inéditas ao mercado.

A estratégia da Aurelion e a visão para o futuro do ouro digital

A Aurelion já detém milhares de tokens XAUT, equivalentes a dezenas de milhões de dólares em ouro físico, e aposta no crescimento da adoção dessa modalidade. A empresa entende que a posse de ouro deve ser tão importante quanto a aquisição, valorizando a segurança e a liquidez proporcionadas pela tokenização.

Apesar de manter o ouro por longo prazo, a Aurelion considera vendas apenas diante de condições excepcionais de mercado. O foco é construir uma base sólida para investidores que buscam uma exposição duradoura ao ouro por meio de ativos digitais que garantem a propriedade real.

A evolução do mercado de ouro para o ambiente digital representa um passo importante para sanar fragilidades históricas e ampliar o acesso dos investidores a um ativo tradicionalmente seguro, porém sujeito a desafios logísticos e de confiança quando negociado via “papel”. A tokenização promove uma revolução na forma como o ouro é negociado, armazenado e resgatado, combinando tradição e inovação.

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