Por que Beijing mantém cautela diante das ameaças tarifárias de Trump

CNBC

Estratégia chinesa aposta na manutenção da trégua comercial com os EUA antes de reunião em abril

Analistas avaliam que Beijing prefere não responder imediatamente às ameaças tarifárias de Trump e aposta na estabilidade até o encontro de líderes em abril.

Contexto da trégua comercial entre EUA e China

A relação comercial entre Estados Unidos e China permanece sob intensa atenção global, especialmente após o presidente Donald Trump ampliar suas ameaças tarifárias destinadas a parceiros comerciais ligados a Pequim. Apesar das medidas e advertências, como a possibilidade de tarifas de 100% sobre produtos canadenses e sanções relacionadas ao comércio com o Irã, a China mantém uma postura reativa e cautelosa. Essa conduta tem como objetivo principal preservar a trégua comercial vigente e garantir a continuidade das negociações para a reunião de líderes marcada para abril.

Estratégia chinesa de não escalada diante das ameaças tarifárias de Trump

Analistas como Deborah Elms, da Hinrich Foundation, reforçam que Beijing acredita que Trump dificilmente concretizará suas ameaças mais severas, como tarifas elevadas contra Canadá ou sanções que afetariam significativamente o comércio chinês. A abordagem chinesa pode ser resumida na máxima: “Nunca interrompa seu adversário quando ele está cometendo um erro”. Assim, a China evita reações que possam provocar retaliações mais duras, focando em manter canais de comunicação abertos e um ambiente estável para negociações futuras.

Impactos geopolíticos e comerciais recentes

Nos últimos meses, as ações da administração Trump tiveram repercussões globais, incluindo o controle americano sobre fluxos de petróleo venezuelano, essencial para a China, e ameaças tarifárias contra países que negociam com o Irã, o que interessa diretamente ao mercado chinês. Além disso, a tentativa de aquisição de Greenland pelo governo dos EUA gerou apreensão em Pequim, devido ao interesse chinês pelas rotas marítimas árticas e recursos minerais da região. No entanto, Trump voltou atrás em algumas posturas, substituindo ameaças por propostas de futuro acordo, o que reforça a incerteza quanto à aplicação das medidas.

Acordo comercial entre China e Canadá e suas repercussões

Canada firmou recentemente um acordo comercial limitado com a China, envolvendo a redução de tarifas sobre veículos elétricos e a suspensão de medidas retaliatórias contra produtos agrícolas canadenses. Essa aproximação, porém, recebeu resposta ríspida de Trump, que advertiu sobre possíveis tarifas punitivas caso Ottawa avance demais em seus laços com Pequim. Autoridades canadenses afirmam que o acordo não se traduz em um pacto de livre comércio amplo, buscando manter o equilíbrio entre suas relações com os dois gigantes econômicos.

Diplomacia chinesa e agenda internacional

Em meio a essas tensões, a China tem reforçado seu papel de ator global estável, recebendo líderes internacionais e promovendo a cooperação multilateral. Recentemente, Xi Jinping recebeu chefes de governo da Finlândia, Irlanda e Coreia do Sul, além de manter diálogo com a Índia para fortalecer parcerias regionais. Essas iniciativas indicam o esforço chinês para consolidar sua imagem de parceiro confiável, mesmo diante das dificuldades comerciais com os Estados Unidos.

Relações bilaterais e perspectivas para a reunião de abril

Tanto Estados Unidos quanto China demonstram interesse em preservar a trégua comercial e assegurar o sucesso do encontro entre Trump e Xi Jinping marcado para abril. A comunicação regular entre os dois lados, enfatizada por representantes chineses, busca evitar escaladas desnecessárias. A continuidade dessa postura será fundamental para definir os rumos da maior relação comercial do mundo em um momento de volatilidade política e econômica.

Considerações finais

A estratégia chinesa diante das ameaças tarifárias de Trump evidencia uma aposta na estabilidade e na negociação cautelosa, evitando confrontos que possam comprometer ganhos econômicos e a agenda diplomática. Embora o cenário permaneça incerto e sujeito a mudanças, refletir sobre essa postura ajuda a compreender as dinâmicas complexas que moldam o comércio internacional e a geopolítica contemporânea.

Fonte: www.cnbc.com

Fonte: CNBC

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