Rede médica oculta no Irã expõe violência sem precedentes durante protestos contra o regime
Rede clandestina de médicos no Irã revela que mais de 33 mil pessoas morreram na repressão aos protestos, número muito superior ao oficial.
Apesar dos cortes na internet, o massacre no Irã começa a ser desvendado por meio de uma rede clandestina de médicos que se comunicam via satélites Starlink. Essa rede possibilita que países ocidentais dimensionem a repressão violenta do regime iraniano contra os protestos que abalam a República Islâmica.
Violência sem precedentes nas manifestações
Amir Mobarez Parasta, médico iraniano-alemão baseado em Munique, afirmou ao jornal Le Figaro que “o nível de violência durante as manifestações é sem precedentes”. Segundo ele, armas letais foram usadas diretamente contra cidadãos, resultando em um número de mortos alarmante.
Rede médica clandestina confirma mais de 33 mil mortes
Informações coletadas por profissionais de saúde indicam a morte de 33.130 pessoas, número que pode ser ainda superior à realidade. Este balanço é quase dez vezes maior do que os dados oficiais divulgados pelas autoridades iranianas. O colapso do sistema de saúde e a crise econômica agravaram a situação, dificultando o atendimento às vítimas.
Estratégia do regime para manipular números oficiais
O jornal Le Monde revelou uma tática das autoridades iranianas para inflar o número de vítimas entre as forças oficiais. Relatos da relatora especial da ONU para os Direitos Humanos, Mai Sato, indicam que famílias que buscam corpos nos hospitais são forçadas a assinar documentos afirmando que as vítimas eram membros das forças de segurança, mesmo que não fossem.
Torturas e abusos em prisões lotadas
Além do massacre, denúncias de tortura, negligência médica e agressões sexuais foram apontadas em prisões superlotadas que abrigam cidadãos reprimidos por desafiar o regime. Essas práticas agravam ainda mais a crise humanitária no país.
Dados atualizados por organizações de direitos humanos
Em 26 de janeiro, a organização HRANA, baseada nos Estados Unidos, reportou a morte de 6.126 pessoas, incluindo 5.777 manifestantes, 86 menores de idade, 214 membros das forças de segurança e 49 pedestres atingidos. A ONG investiga ainda outros 17.091 casos suspeitos, o que poderia elevar o número total de mortos para mais de 40 mil.
A revelação desses dados por meio da rede clandestina de médicos não só expõe a gravidade da repressão no Irã, como também lança um apelo à comunidade internacional para que sancione os responsáveis pela violência contra a população.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: m colorida mostra manifestações pró-governo no Irã – Metrópoles