Iniciativa de Trump busca reconfigurar ordem mundial e provoca reações mistas entre membros do BRICS e países do Sul Global
Trump Board of Peace propõe nova ordem global ao expandir mandato para segurança além de Gaza, desafiando BRICS e a ONU.
O lançamento do Trump Board of Peace no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em janeiro de 2026, representa uma investida audaciosa para transformar a arquitetura da ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. A iniciativa, liderada pessoalmente por Donald Trump com mandato vitalício e poderes executivos amplos, busca atuar na promoção da paz e segurança além de sua missão inicial focada em Gaza.
Origem e expansão do mandato do Board of Peace
Inicialmente concebido para facilitar a paz e a reconstrução em Gaza após o ataque brutal do Hamas em outubro de 2023, o Board of Peace recebeu autorização do Conselho de Segurança da ONU pela Resolução 2803 em novembro, conferindo a Trump a liderança do órgão. Rapidamente, o presidente estadunidense ampliou o escopo da iniciativa para abordar questões globais de segurança, gerando críticas sobre uma possível marginalização do Conselho de Segurança e da própria ONU.
O silêncio e as fissuras no BRICS
Contrariando as expectativas de uma oposição contundente, o bloco do BRICS, que se posiciona historicamente como líder do Sul Global em oposição à hegemonia ocidental, mostrou-se dividido. Enquanto o Brasil, sob o comando do presidente Lula, rejeitou a proposta e buscou mobilizar seus pares contra o Board, outros membros e aspirantes, como Índia, China e Rússia, adotaram uma postura mais reservada ou até ambígua.
Notavelmente, países como Indonésia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Turquia, integrantes ou próximos do BRICS+, aderiram ou facilitaram a iniciativa, sinalizando uma pragmática opção por influência e engajamento junto a Washington, em detrimento da solidariedade ideológica do bloco.
Estrutura e financiamento do Board
O Board é presidido por Trump com mandato vitalício, controle de membros e poder de veto sobre políticas. A adesão ao órgão contempla uma modalidade normal de três anos, além da aquisição de assento permanente mediante pagamento de US$ 1 bilhão. Esse modelo não apenas reforça a centralidade estadunidense, mas também introduz um componente financeiro na governança global.
Repercussões diplomáticas e implicações geopolíticas
A aprovação unânime da Resolução 2803, com abstenções estratégicas de Rússia e China, marcou um momento sem precedentes ao delegar amplos poderes de segurança mundial a um único indivíduo. Essa decisão foi motivada em boa parte por urgências humanitárias e um reconhecimento tácito das limitações das instituições multilaterais tradicionais.
A estratégia de Trump revelou fragilidades nas premissas sobre unidade do Sul Global e a coesão do BRICS como contrapesos ao domínio dos EUA. Países optaram por interesses nacionais e pragmatismo, mesmo que isso significasse flexibilizar posicionamentos ideológicos ou alianças históricas.
O futuro do Board of Peace e o impacto sobre a ordem internacional
Com mandato até o final de 2027, o Board de Trump pode consolidar-se se adquirir legitimidade institucional e autonomia financeira, apesar dos potenciais vetos russos e chineses à renovação. A iniciativa já evidencia um cenário em que o poder global se reconfigura não por discursos de solidariedade, mas por cálculos estratégicos e interesses concretos das nações.
Este panorama desafia a ONU e os mecanismos multilaterais tradicionais, podendo inaugurar uma nova era na governança global, marcada por estruturas concorrentes e uma crescente fragmentação do sistema internacional.
Fonte: foreignpolicy.com
Fonte: Paraguayan President Santiago Peña