Vale vale3: análises apontam impacto moderado dos vazamentos em minas de Minas Gerais

Especialistas do Citi e Itaú BBA avaliam consequências dos extravasamentos e perspectivas para as ações VALE3

Analistas do Citi e Itaú BBA avaliam o impacto dos vazamentos de água nas operações da Vale em Minas Gerais e indicam medidas para investidores.

Desde o domingo, 25 de outubro, as operações da Vale (VALE3) em Minas Gerais estão sob escrutínio devido a episódios de extravasamento de água em suas minas, principalmente nas unidades de Fábrica e Viga. A prefeitura de Congonhas, cidade vizinha, suspendeu alvarás de funcionamento das operações e exigiu ações emergenciais para controle e mitigação ambiental.

Contexto dos vazamentos e medidas adotadas

Os incidentes ocorreram em meio a fortes chuvas na região central do estado. O extravasamento mais notório aconteceu na mina de Fábrica, localizada na divisa entre Ouro Preto e Congonhas, com a água contendo sedimentos avançando sobre a Unidade Pires, da CSN Mineração.

A Vale informou que o vazamento foi contido rapidamente, sem feridos e sem impactos diretos às comunidades. Esclareceu que o fluxo partiu de cavas e não de barragens, envolvendo areia não tóxica, e não rejeitos.

Avaliação dos analistas financeiros

Especialistas do banco Citi destacam que os ativos de Fábrica e Viga juntos produzem cerca de 8 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, representando 3% da produção total da Vale e 0,5% do mercado marítimo global.

A suspensão indefinida das operações pode resultar numa perda de cerca de 1,5 milhão de toneladas no primeiro trimestre, considerando a sazonalidade. Apesar disso, o Citi mantém as projeções da mineradora para 2026 e considera os custos de limpeza e possíveis multas como de baixa relevância para o balanço.

O Itaú BBA avalia que o maior impacto sobre as ações deve-se ao aumento da fiscalização e repercussão negativa nas notícias, mas não reavalia o risco operacional estrutural da empresa. Os analistas ressaltam que não houve rompimento de barragem nem vazamento de rejeitos, reforçado pela Agência Nacional de Mineração, o que minimiza o perfil de responsabilidade e potenciais indenizações.

Reações do mercado e perspectivas para as ações VALE3

Na segunda-feira, 26, as ações da Vale recuaram cerca de 2,5% em resposta às preocupações com segurança. No entanto, na manhã do dia 27, os papéis operavam em alta de 1,72%, cotados a R$ 84,50.

As recomendações de compra para as ações foram mantidas pelos dois bancos, reforçando a visão de que o episódio, embora lamentável, não deve alterar substancialmente a avaliação da empresa no curto prazo.

Reflexos do contexto histórico e exigências futuras

Os vazamentos ocorreram próximo ao sétimo aniversário do rompimento da barragem em Brumadinho, tragédia que deixou 270 vítimas, o que aumenta o grau de cautela das autoridades e da sociedade.

O Citi reforça a importância de a Vale revisar suas práticas e garantir medidas eficazes para evitar novas ocorrências, enquanto o Itaú BBA destaca a necessidade de acompanhar o cumprimento das exigências municipais e o tempo para a retomada das operações.

Ambos os analistas apontam que os custos futuros devem estar concentrados em limpeza, monitoramento e conformidade, em vez de grandes compensações financeiras.

Este episódio mostra o desafio constante das mineradoras em equilibrar produção e segurança ambiental, especialmente em regiões já marcadas por desastres, e reforça a atenção dos investidores e reguladores sobre a gestão hídrica e operacional da Vale.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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