André Corrêa do Lago defende consenso e implementação acelerada para enfrentar a crise climática
Presidente da COP30 propõe multilateralismo climático em dois níveis para acelerar medidas contra a crise climática.
O presidente da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), André Corrêa do Lago, apresentou em 27 de janeiro de 2026 uma nova visão para o multilateralismo climático, que ele chama de “multilateralismo climático em dois níveis”. A proposta destaca a necessidade de combinar o consenso internacional com uma implementação ágil e prática das medidas para conter os efeitos da crise climática.
Proposta de multilateralismo climático em dois níveis
Segundo André Corrêa do Lago, o primeiro nível do multilateralismo deveria focar na construção do consenso entre países, garantindo que diretrizes fundamentais sejam acordadas e mantidas. O segundo nível, por sua vez, teria uma “segunda velocidade institucional” voltada para a implementação efetiva dessas medidas, permitindo que coalizões voluntárias e atores capazes mobilizem recursos, executem soluções e gerem aprendizado em escala.
Essas coalizões teriam a liberdade de atuar sem a necessidade de reabrir discussões já consolidadas, como ocorreu com iniciativas anteriores, entre elas o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), o Compromisso de Belém sobre Combustíveis Sustentáveis, a Coalizão Aberta de Mercados Regulados de Carbono e o Fórum Integrado de Comércio e Mudança do Clima.
Balanço da COP30 em Belém
A carta, a 12ª emitida pela presidência brasileira da COP30, faz um balanço dos resultados da conferência realizada em novembro de 2025, em Belém, Pará. Segundo Corrêa do Lago, as decisões adotadas representaram avanços importantes para enfrentar a urgência climática, por meio da implementação acelerada de medidas, da solidariedade e da cooperação internacional.
No entanto, ele reconhece que os avanços ficaram aquém das expectativas tanto de especialistas quanto das comunidades mais impactadas pelas mudanças climáticas. Esse reconhecimento ressalta os desafios do multilateralismo climático atual e a necessidade de adaptação constante.
Evolução do regime climático
Para o presidente da COP30, o regime climático global está se transformando de uma “máquina” para um “sistema vivo”. Essa transformação implica que o sistema não sobrevive apenas pela harmonia, mas também precisa se adaptar diante de tensões e retroalimentações. Essa visão reforça a importância de mecanismos flexíveis e dinâmicos para responder às complexidades das mudanças climáticas.
Contexto brasileiro e internacional
A COP30, sediada no estado do Pará, marcou um momento importante para o Brasil, destacando iniciativas locais como a redução de alertas de desmatamento na região. O governo brasileiro também anunciou a criação de uma plataforma para financiar a transição climática, demonstrando o compromisso nacional com a agenda ambiental.
Entretanto, a conferência também gerou discussões críticas no cenário internacional, com análises que qualificaram o evento como “fracasso” ou indicativo de “caos” para as negociações climáticas, sobretudo diante da exclusão de combustíveis fósseis do acordo global e da promessa brasileira de uma rota paralela para o setor.
Desafios e perspectivas para o futuro
A proposta de multilateralismo climático em dois níveis apresentada por André Corrêa do Lago busca superar desafios históricos das negociações ambientais, promovendo uma maior efetividade na implementação das ações climáticas. Ao permitir uma atuação mais dinâmica e menos engessada, a iniciativa pode acelerar a resposta global à crise climática, respeitando os acordos previamente estabelecidos, ao mesmo tempo em que potencializa a cooperação entre países e atores não estatais.
Essa abordagem sugere que o futuro das negociações climáticas depende da capacidade de inovar em modelos de governança internacional, conciliando consenso e ação prática para garantir resultados concretos diante da urgência ambiental.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: m colorida do embaixador Andre Correa do Lago