Bem-vindos à Lava Jato 2.0. – Rodrigo Marcial Autor do dossiê Moraes comenta caso master

Para entender o escândalo de hoje, você precisa lembrar da lógica usada no caso do Sítio de Atibaia, o símbolo da queda de Lula na antiga Lava Jato. A defesa era sempre um mantra repetido à exaustão: “O imóvel não é meu, está no nome de um amigo, eu só uso”.

Hoje, a história se repete, mas o cenário mudou drasticamente. Sai o Sítio, entra o Tayayá Resort. Sai a Odebrecht, entra o Banco Master. E o protagonista da vez é o ministro Dias Toffoli.

A denúncia começa com uma transação financeira nebulosa. O Resort Tayayá pertencia, originalmente, a familiares de Dias Toffoli. O desenho do esquema vem a seguir: o empreendimento foi “comprado” por fundos de investimento ligados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Logo em seguida, a propriedade foi repassada para um advogado da J&F — uma das empresas beneficiadas pelo fim da Lava Jato.

Apesar da dança de nomes no papel, quem manda lá? Os funcionários do resort são categóricos: Toffoli é um dos donos. Tudo aponta para isso.

É aqui que a comparação com a Lava Jato original se torna humilhante. Em Atibaia, a prova do “dono oculto” eram reformas toscas na cozinha e aqueles famosos pedalinhos com nomes dos netos no lago barrento. Era uma corrupção quase artesanal.

No Tayayá, o padrão inflacionou. Os pedalinhos viraram lanchas de luxo à disposição da família. As “reformas” agora são a construção da chamada “Casa do Ministro”: uma mansão de alto padrão dentro do complexo, isolada, com segurança própria e acesso restrito.

A lógica do “era de um amigo” permanece idêntica, mas a escala mudou. Não são apenas pedalinhos, são áreas inteiras do hotel fechadas para festas privadas exclusivas.

A gravidade institucional também sofreu um “upgrade”. No passado, o foco eram as empreiteiras. Elas quebraram. Quem assumiu o vácuo foi o Banco Master, crescendo de forma suspeita nos bastidores.

Dias Toffoli, ex-advogado do PT e o homem que anulou todas as provas da Lava Jato antiga, hoje atua como relator de processos do Banco Master no STF. Ou seja, ele julga a instituição que, segundo as denúncias, financiou a compra do resort onde ele reina como proprietário.

Ao destruir a operação antiga, abriu-se a porteira para esse novo modelo. O mecanismo não acabou, ele se sofisticou. Se o Sítio de Atibaia e seus pedalinhos foram o símbolo da corrupção de uma era, o Resort Tayayá e suas lanchas são o monumento à impunidade da atual.

 

Este texto foi feito e sugerido pelo Vereador de Curitiba Rodrigo Marcial do Novo

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