A retirada em Minneapolis revela limites ao poder do ex-presidente frente à ala autoritária do Partido Republicano
A retirada de Donald Trump em Minneapolis expõe uma derrota significativa para os conservadores nacionais e mostra que ele pode ser parado.
A retirada de Donald Trump em Minneapolis revela que ele pode ser derrotado, desafiando a percepção de sua invencibilidade entre os conservadores nacionais mais autoritários (NatCons). O episódio ocorreu após uma operação federal controversa que resultou na morte de Alex Pretti, incitando debates intensos dentro do Partido Republicano e na administração Trump.
A crise em Minneapolis e suas repercussões
Durante o primeiro ano após seu retorno à presidência, Trump adotou uma postura indiferente à opinião pública, considerando a eleição de 2024 como seu último grande embate. No entanto, a operação em Minneapolis abalou essa estratégia, expondo falhas e resistência inesperada. Agentes federais ligados à imigração agiram sob comando da administração, mas a reação local e a reação de alguns republicanos indicaram desconforto e a necessidade de investigação, algo fora do padrão para o governo que buscava evitar críticas e repercussão legal.
O secretário de Segurança Interna Kristi Noem e o chefe de gabinete adjunto Stephen Miller qualificaram Pretti como terrorista, buscando justificar medidas duras contra a oposição liberal. Contudo, Trump, por meio de sua porta-voz Karoline Leavitt e em suas redes sociais, adotou tom conciliatório, mantendo diálogo com autoridades locais e substituindo comandantes federais envolvidos, numa sinalização clara de recuo político.
O papel dos conservadores nacionais e o autoritarismo
Os NatCons representam uma ala do Partido Republicano que vê o liberalismo americano como um inimigo a ser combatido por métodos além da política tradicional. Para eles, a imigração é uma arma estratégica da esquerda para perpetuar o poder, o que, em sua visão, justifica medidas extremas, incluindo deportações em massa.
Lideranças como o vice-presidente Vance, Miller e senadores alinhados defendem essa agenda com veemência, considerando-a essencial para garantir o futuro eleitoral dos republicanos. A influência dos NatCons na formulação da estratégia de Trump tem sido profunda, principalmente na adoção de políticas rígidas de imigração e repressão à dissidência política.
Tensões internas e a instabilidade estratégica de Trump
Apesar do alinhamento formal, Trump demonstra uma postura mais pragmática e instintiva que não se prende a ideologias rígidas. Sua hesitação em apoiar medidas extremas sem exceções mostra conflito entre sua estratégia pessoal e as demandas dos NatCons.
Essa ambivalência contribuiu para o recuo em Minneapolis, onde a resistência organizada da comunidade local e a repercussão negativa elevou o custo político da operação. A situação expõe um fosso entre a liderança autoritária defendida pelos NatCons e a capacidade política de Trump de manter apoio amplo.
Implicações para o futuro político americano
A derrota em Minneapolis marca um momento simbólico na disputa interna do Partido Republicano e na trajetória política de Trump. Ao ser forçado a recuar diante da oposição local e de dissidências dentro do seu próprio espectro político, o ex-presidente deixa claro que sua influência não é absoluta.
Esse episódio pode sinalizar o enfraquecimento da ala autoritária e possibilitar uma reconfiguração das estratégias conservadoras para as próximas eleições, com maior necessidade de negociação e adaptação às reações sociais e políticas.
Fascismo e autoritarismo: limites da definição
Analistas políticos discutem se o movimento Trumpista deve ser classificado como fascista, dependendo da definição adotada. Embora possa aspirar a um controle autoritário extremo, a existência de resistência efetiva e recuos do presidente indicam que os Estados Unidos ainda não alcançaram tal estágio político.
O revés em Minneapolis, portanto, não apenas desmonta a aura de invencibilidade de Trump, mas reforça a complexidade da dinâmica política americana, onde forças democráticas e autoritárias seguem em conflito intenso.
Fonte: www.theatlantic.com
Fonte: Getty