Mudanças no projeto refletem a insatisfação com custos e atrasos.
A Arábia Saudita revisa o megaprojeto Neom, reduzindo sua escala diante de atrasos e custos elevados.
A Arábia Saudita enfrenta um momento delicado em seu ambicioso projeto de megacidade, Neom. Desde sua concepção em 2017, a ideia era revolucionar a economia do país, historicamente dependente do petróleo, através de uma iniciativa que prometia atrair investimentos estrangeiros e mostrar ao mundo as capacidades sauditas em inovação tecnológica e urbanística. Contudo, a realidade atual mostra que, com o preço do petróleo Brent estacionado abaixo dos US$ 70 por quase um ano, a execução desse megaprojeto está sendo reavaliada.
Contexto da Neom e seus Desafios
O projeto Neom foi anunciado como parte da “Visão 2030” da Arábia Saudita, um plano de diversificação econômica que busca reduzir a dependência do petróleo. O orçamento inicial de US$ 500 bilhões rapidamente se tornou obsoleto, com estimativas indicando que o custo total poderia atingir impressionantes US$ 1,5 trilhão. Durante esse tempo, a frustração do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, responsável pela supervisão do projeto, tem crescido devido a atrasos constantes e custos que superaram todas as expectativas.
Neom foi idealizada para ser uma cidade futurista, com áreas dedicadas à tecnologia, turismo e inovação. No entanto, a falta de progresso visível e a necessidade de ajustes financeiros significativos levaram a equipe de planejamento a revisar drasticamente suas ambições. O novo projeto pode ser significativamente menor, focando em uma infraestrutura já existente, ao invés de uma construção extensa, como inicialmente previsto. A proposta agora pode incluir a transformação de Neom em um polo de dados e inteligência artificial, um setor que já mostra potencial, especialmente após a recente demanda por soluções em tecnologia da informação.
Detalhes da Reformulação
As informações recentes indicam que uma revisão interna, que levou cerca de um ano, está prestes a ser finalizada. A proposta de reformulação não foi divulgada em detalhes, mas notícias sugerem que Neom pode ser reduzida para atender a um modelo mais sustentável e viável economicamente. O foco seria em criar um centro para dados, algo que a Arábia Saudita já começou a desenvolver com a construção de um data center em Oxagon, que deverá ter sua primeira fase concluída até 2028, com capacidade de 1,5 gigawatts.
A necessidade de ajustes surge em um contexto financeiro complicado. A Arábia Saudita projeta um déficit de 165 bilhões de riais (aproximadamente US$ 44 bilhões) para 2026, um reflexo da queda na produção e nos preços do petróleo, que impactaram diretamente na arrecadação do governo. Os gastos públicos estão sendo redirecionados para setores prioritários, como logística e mineração, enquanto o fundo soberano do país é reposicionado para investir em áreas mais estratégicas, longe dos projetos imobiliários que têm enfrentado atrasos.
Consequências da Nova Direção
A redução do projeto Neom não só apresenta um desafio em termos de desenvolvimento urbano e tecnológico, mas também reflete as dificuldades econômicas enfrentadas pela Arábia Saudita. A transição para uma economia menos dependente do petróleo é essencial, mas a realidade é que a commodity ainda sustenta a maior parte do orçamento do país. A expectativa é que essa mudança possa trazer novos mercados e oportunidades, mas a implementação ainda enfrenta incertezas significativas.
Com a Expo 2030 e a Copa do Mundo de 2034 no horizonte, a pressão para que Neom esteja operacional a tempo se intensifica. Resta saber se as novas diretrizes e o reposicionamento do projeto serão suficientes para fazer frente aos desafios existentes e garantir que a Arábia Saudita possa se posicionar como um líder em inovação e tecnologia no futuro.
Fonte: www.moneytimes.com.br