Como escritórios familiares e fundos de private equity se unem para buscar grandes negócios

CNBC

A relação entre a riqueza familiar e o acesso a investimentos lucrativos.

Entenda como escritórios familiares buscam investimentos diretos em empresas e os desafios que enfrentam ao optar por private equity.

Os escritórios familiares, que gerenciam os ativos de famílias ultra-ricas, enfrentam um dilema ao investir em empresas privadas: escolher entre pagar taxas a fundos de private equity (PE) ou formar suas próprias equipes de investimento. Essa decisão, complexa e custosa, leva muitos a considerar a opção de co-investimento, que tem ganhado destaque nos últimos anos.

A Ascensão do Co-Investimento

A prática de co-investir permite que os escritórios familiares colaborem com fundos de private equity, investindo simultaneamente ao lado destes. Essa abordagem se mostra atraente, especialmente em um cenário onde os fundos de private equity enfrentam dificuldades em captar recursos de fontes tradicionais. Segundo advogados especializados, a crescente necessidade de acesso a fluxos de negócios levou a um aumento na popularidade do co-investimento, que oferece aos escritórios familiares a oportunidade de se beneficiar de investimentos diretos, sem a necessidade de construir do zero suas próprias equipes de aquisição.

O co-investimento permite que os escritórios familiares façam compromissos substanciais com fundos de private equity em troca do direito de investir capital adicional em empresas do portfólio. Normalmente, isso resulta em taxas de gestão ou desempenho reduzidas, enquanto o fundo de private equity se encarrega da parte tediosa de captação e análise de oportunidades.

Detalhes da Parceria

Os escritórios familiares que se associam a fundos de private equity conseguem acessar participações em empresas que, de outra forma, seriam inacessíveis devido à intensa competição. Comumente, os fundos têm a capacidade de oferecer ofertas mais atraentes em leilões do que os escritórios familiares, especialmente no mercado de middle market. As famílias frequentemente reconhecem que não conseguirão ser as melhores licitantes, mas ainda assim desejam uma exposição ao investimento direto.

Essa dinâmica levou os patrocinadores de private equity a serem mais flexíveis na negociação de direitos de co-investimento, incentivando a alocação de recursos nos fundos. Em determinadas ocasiões, os fundos oferecem aos escritórios a possibilidade de manter sua porcentagem de propriedade ao emitir novas ações ou fornecem informações detalhadas sobre aspectos financeiros e operacionais das empresas, garantindo uma maior transparência em relação ao investimento.

Desafios e Limitações

Apesar das vantagens, essa estrutura de co-investimento também impõe limitações. Os escritórios familiares tipicamente atuam como investidores minoritários e, portanto, não possuem os mesmos direitos de governança e operação que teriam se comprassem a empresa integralmente. Isso gera uma dependência em relação ao fundo de private equity e pode complicar a dinâmica de saída, especialmente quando o fundo decide vender sua participação.

Essencialmente, os escritórios familiares não têm o controle de manter sua participação e prevenir a saída do fundo, o que pode ser um desafio, já que são conhecidos por investir a longo prazo. Essa situação pode gerar tensões nas relações, já que o fundo de private equity pode preferir liquidar a totalidade da participação para maximizar o retorno ao investidor.

Diante disso, muitos escritórios familiares estão se movendo em direção ao co-investimento como uma resposta à crescente atratividade dos mercados privados. Alguns estão alocando até 20% de seus portfólios para co-investimentos, embora haja um alerta sobre a necessidade de monitorar a liquidez e ser seletivo em relação aos gestores de fundos e as empresas do portfólio.

Conclusão

A colaboração entre escritórios familiares e fundos de private equity emerge como uma estratégia poderosa para acessar investimentos valiosos, minimizando custos e maximizando retornos. Contudo, essa relação complexa exige atenção cuidadosa, já que os riscos associados e a falta de controle podem impactar os objetivos a longo prazo das famílias investidoras.

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