Entenda como a rigidez cognitiva é interpretada e sua relação com o autismo.
Discussão sobre rigidez cognitiva em 'BBB 26' gera polêmica e esclarecimentos sobre o autismo.
Maxiane, Líder da atual edição do “BBB 26”, gerou controvérsia ao tentar diagnosticar sua adversária Milena, utilizando o termo “rigidez cognitiva”. Durante uma conversa no confinamento, ela afirmou que a sister apresentava baixa tolerância à frustração, inferindo que a dificuldade de Milena em lidar com a perda na Prova do Líder a classificava como rigidamente cognitiva. Essa afirmação, além de problemática, foi rapidamente apoiada por outro participante, Breno, que, embora biólogo, não possui formação em psicologia.
O que é rigidez cognitiva?
A rigidez cognitiva é um conceito que descreve a dificuldade de adaptação a mudanças, uma característica observada frequentemente em indivíduos autistas. A psicóloga e neurocientista Maya Gaiato explicou que esse comportamento se manifesta como uma resistência a alterações na rotina ou nas expectativas, levando a comportamentos que podem ser vistos como “birra” em crianças pequenas. Essa rigidez pode dificultar a socialização e a interação, pois o ambiente social é repleto de incertezas e variáveis. Para profissionais, é essencial introduzir variações de maneira gradual para ajudar no desenvolvimento dessas habilidades.
Gaiato também destacou que a rigidez cognitiva pode proporcionar uma sensação de controle e previsibilidade para aqueles que a experimentam, especialmente para indivíduos autistas, que têm uma percepção do mundo diferente. Para eles, pequenas mudanças na rotina podem gerar ansiedade significativa, por isso o apego a padrões estabelecidos é comum. O tratamento, portanto, envolve não apenas terapias, mas também ferramentas que incentivem a socialização e o entendimento emocional.
A repercussão no ‘BBB 26’
A repercussão do comentário de Maxiane trouxe à tona a questão da saúde mental e da necessidade de diagnósticos precisos. O perfil oficial de Milena no Instagram se manifestou, negando qualquer diagnóstico de autismo e criticando os comentários psicofóbicos que surgiram em redes sociais. A nota ressaltou que a avaliação de qualquer transtorno deve ser feita por uma equipe multiprofissional em condições adequadas, e que a pressão do confinamento pode alterar comportamentos sem que isso implique em um diagnóstico clínico.
Além disso, a nota fez um importante chamado à empatia, explicando que traços de comportamento observados em Milena não devem ser usados para estigmatizar pessoas no espectro autista. As experiências desses indivíduos são diversas e únicas, e o respeito deve estar sempre em primeiro lugar.
O impacto social da discussão
Este episódio no “BBB 26” acendeu um debate necessário sobre a forma como a sociedade percebe e discute questões relacionadas ao autismo e à saúde mental. Comentários pejorativos não apenas desinformam, mas também prejudicam a luta contra o estigma enfrentado por pessoas autistas e seus familiares. A escolha de palavras e a maneira como falamos sobre esses temas podem ter profundas consequências na vida de muitos.
A psicofobia, a discriminação contra pessoas com transtornos mentais, é uma questão séria que deve ser abordada com responsabilidade. É fundamental que cada um de nós use a plataforma de discussão que temos, seja em um reality show ou em nossas interações diárias, para promover a inclusão e o respeito, especialmente em temas tão delicados como o autismo.
O diálogo aberto e consciente pode contribuir para uma sociedade mais informada e empática, onde todos têm o direito de ser ouvidos e respeitados.
Fonte: www.purepeople.com.br