Trump e a nova ordem mundial

Mandel Ngan/AFP/Getty Images

O impacto duradouro da presidência de Trump nas relações internacionais

A presidência de Trump provocou uma ruptura nas relações internacionais, impactando a maneira como os aliados se relacionam com os EUA.

Donald Trump, ao longo de sua presidência, não apenas provocou uma transformação radical na política interna dos Estados Unidos, mas também deixou uma marca indelével nas relações internacionais. Em seu segundo mandato, é evidente que Trump construiu um legado duradouro que pode ter repercussões por décadas. A ascensão de um estilo de liderança caracterizado por uma retórica nacionalista e uma abordagem unilateral desafiou as relações estabelecidas com aliados de longa data, criando um clima de incerteza e tensão global.

A nova realidade das relações internacionais

Historicamente, os EUA se apresentaram como defensores do comércio livre e da cooperação internacional. No entanto, com a presidência de Trump, essa narrativa foi profundamente questionada. O ex-presidente impulsionou tarifas e um protecionismo exacerbado, transformando o Partido Republicano em um bastião de políticas nativistas. Este movimento não apenas alienou aliados tradicionais, mas também abriu espaço para a ascensão de potências como a China, que se mostra cada vez mais disposta a preencher o vazio deixado pela liderança americana.

Recentemente, o discurso do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, no Fórum Econômico Mundial em Davos, sintetizou essa nova dinâmica. Carney destacou uma ruptura significativa na ordem internacional, enfatizando que a antiga estrutura de poder, onde os EUA desempenhavam o papel de hegemônico, está em colapso. As nações que antes olhavam para os EUA em busca de liderança agora buscam formar alianças que possam desafiar essa hegemonia.

A resposta dos aliados

A reação dos líderes europeus ao crescente isolamento da América é notável. Carney, em seu discurso, fez um apelo claro para que as “potências médias” como Canadá e as nações europeias se unam para enfrentar os desafios impostos pela nova ordem global. A declaração de que “se não estivermos na mesa, estaremos no cardápio” ressoa em um continente que, por muito tempo, teve suas políticas moldadas pela necessidade de agradar a Washington. Agora, com a liderança de Trump, essa necessidade se transforma em uma busca por autonomia e independência.

A reação em cadeia provocada pelas políticas de Trump fez com que até mesmo líderes de direita, que antes se aproximavam dele, reconsiderassem suas posturas. A ameaça de Trump em reivindicar a Groenlândia, embora absurda, serviu como um catalisador para a indignação coletiva e a reavaliação das relações. A sensação de que a soberania nacional estava em jogo levou os líderes europeus a se unirem em torno da ideia de que a era da complacência acabou.

O futuro das relações EUA e Europa

À medida que o mundo avança, as consequências da era Trump se tornam mais evidentes. O que se vê agora é uma Europa e um Canadá que começam a buscar novas parcerias, possivelmente mais próximas da China, para garantir sua segurança e prosperidade. A ascensão de empresas chinesas, como a BYD, que competem diretamente com gigantes americanos como a Tesla, ilustra bem essa transição. A relação entre os EUA e sua antiga aliança está em um ponto de inflexão, e a possibilidade de um futuro democrata na presidência pode não ser suficiente para reparar os danos.

Conclusão

As marcas que Trump deixou nas relações internacionais não serão facilmente apagadas. A transição de um presidente que adotou uma postura isolacionista para outro que busca reintegrar os EUA no cenário global enfrentará enormes desafios. A desconfiança cultivada durante o governo Trump é uma barreira significativa que a próxima administração terá que superar. O legado de Trump, portanto, não é apenas uma questão de políticas momentâneas, mas de uma nova normalidade nas relações internacionais que demandará uma adaptação cuidadosa e estratégica por parte dos EUA e de seus aliados.

Fonte: nymag.com

Fonte: Mandel Ngan/AFP/Getty Images

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