Janeiro Branco: por que saúde mental precisa ser pauta permanente nas empresas

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Especialista destaca impacto da NR-1 e defende ações concretas e preventivas nas empresas

 

 

A saúde mental no ambiente de trabalho entrou definitivamente no radar das empresas brasileiras. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho, ao reconhecer explicitamente os riscos psicossociais, reforça a responsabilidade das organizações na prevenção do adoecimento emocional e marca um novo momento para a gestão de pessoas no país.

Nesse cenário, o Janeiro Branco, campanha nacional criada em 2014 e dedicada à promoção da saúde mental, amplia o debate sobre a necessidade de políticas corporativas estruturais e contínuas. Em 2025, foi registrado mais de meio milhão de afastamentos do trabalho por transtornos mentais no Brasil, exatos 546 mil, o maior número já observado. Em 2024, haviam sido 440 mil afastamentos pelas mesmas causas, evidenciando uma escalada contínua do adoecimento psíquico relacionado ao trabalho.

Para a advogada Adriana Belintani, especialista em saúde mental, pela Faculdade de Medicina da USP, e em direito trabalhista e previdenciário, a convergência entre a campanha e a atualização da NR-1 reforça que o tema deixou de ser apenas uma recomendação e passou a integrar a gestão de riscos das empresas. “O Janeiro Branco 2026 impulsiona uma reflexão que já não pode ser adiada: a proteção da saúde mental no trabalho deve ser traduzida em práticas concretas, que envolvam desde a liderança até os processos internos da empresa, contemplando a prevenção de riscos psicossociais, o respeito à dignidade do trabalhador e a construção de ambientes organizacionais seguros e acolhedores”, afirma.

Segundo a especialista, o reconhecimento formal dos riscos psicossociais amplia o olhar sobre fatores como sobrecarga de trabalho, assédio, insegurança, pressão excessiva por resultados e culturas organizacionais adoecedoras, aspectos diretamente relacionados ao aumento de afastamentos, passivos trabalhistas e queda de produtividade.

 

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Sofrimento emocional no trabalho não é fragilidade

Para o psicólogo Leonardo Abrahão, idealizador da campanha Janeiro Branco, a atualização da NR-1 representa um avanço histórico ao deslocar a discussão do campo individual para o organizacional: “A saúde mental do trabalhador deixou de ser um assunto periférico e passou a ocupar, finalmente, o lugar central que sempre lhe pertenceu. A atualização da NR-1, ao reconhecer explicitamente os riscos psicossociais, representa um marco histórico: ela sinaliza que o sofrimento emocional no trabalho não é fragilidade individual, mas resultado de contextos, culturas organizacionais e modelos de gestão”, destaca.

Com o tema “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental”, o Janeiro Branco 2026 convidou empresas, gestores, profissionais de saúde e trabalhadores a repensarem práticas de liderança, modelos de gestão e ambientes de trabalho, reforçando que promover saúde mental não é apenas uma ação pontual, mas um compromisso contínuo com a sustentabilidade humana e organizacional.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa. / Fotos: Freepik.

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