Pesquisadores revelam a longevidade surpreendente de espécies do Cerrado.
Pesquisadores descobriram plantas rasteiras com mais de 100 anos no Cerrado, revelando a importância da conservação dos ecossistemas.
A pesquisa realizada em campos naturais do Cerrado e da Mata Atlântica trouxe à luz um achado surpreendente: plantas rasteiras com mais de 100 anos de idade. A equipe de cientistas brasileiros, ao analisar mais de 200 amostras, encontrou exemplares que desafiam a noção comum sobre a longevidade das plantas em ambientes pouco arborizados. Dentre as 107 espécies estudadas, a maioria não ultrapassava os 10 anos, mas uma das plantas analisadas se destacou como a recordista em idade, uma verdadeira “vovó vegetal” de 136 anos.
A importância dos campos naturais
Os campos naturais, prevalentemente formados por gramíneas, ervas e pequenos arbustos, constituem uma fisionomia importante do Cerrado, embora não sejam a vegetação predominante. Esse tipo de ambiente, que cobre cerca de 20% do planeta, é muitas vezes subestimado em termos de diversidade. A pesquisa foi conduzida pelo projeto Biota Campos, que visa estudar e conservar essa vegetação única, repleta de espécies que desempenham papéis ecológicos fundamentais.
Metodologia inovadora para determinar a idade das plantas
Os pesquisadores usaram a herbocronologia, um método que analisa órgãos subterrâneos, para determinar a idade das plantas. Essa técnica é análoga à dendrocronologia, utilizada para árvores, mas adaptada para plantas rasteiras que não apresentam anéis de crescimento evidentes em seus caules. Através de corantes e microscopia, foi possível identificar as células dos anéis de crescimento nas raízes, revelando a história de desenvolvimento dessas plantas.
Implicações para a conservação
O estudo destaca a importância de investigar mais a fundo os campos naturais, especialmente em um mundo onde a degradação dos ecossistemas é cada vez mais alarmante. Os cientistas enfatizam que a validação do método de herbocronologia permite não apenas estimar a idade de ecossistemas herbáceos, mas também reforça a necessidade de conservar esses ambientes. Com dados sobre a longevidade das plantas, os pesquisadores esperam fortalecer os argumentos em favor da preservação, visto que a conservação dos campos naturais é crucial para a biodiversidade e a sustentabilidade ambiental.
Essas descobertas não só ampliam nosso entendimento sobre a longevidade das plantas em ambientes específicos, mas também acendem um alerta sobre a fragilidade dos ecossistemas herbáceos, que muitas vezes são esquecidos nas discussões sobre conservação. O futuro da pesquisa nesse campo promete trazer mais insights valiosos que podem ajudar na proteção desses ecossistemas essenciais.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Giselda Durigan