A pele pode dar sinais claros de que algo não vai bem com os hormônios e com o açúcar no sangue — e isso vai muito além da estética
Segundo a dra. Carolina Mantelli, endocrinologista, essas manchas funcionam como um sinal de alerta do próprio corpo. “A pele acaba refletindo o que está acontecendo internamente. Quando a insulina permanece elevada por muito tempo, ela estimula o crescimento exagerado das células da pele, o que leva ao escurecimento e ao espessamento dessas regiões”, explica.
Esse tipo de alteração é frequentemente observado em pessoas com sobrepeso, obesidade abdominal, pré-diabetes, diabetes tipo 2, síndrome dos ovários policísticos e gordura no fígado. Mesmo quando os níveis de glicose ainda estão dentro da normalidade, a insulina pode estar elevada, indicando um desequilíbrio metabólico que já merece atenção. “Muitas pessoas descobrem a resistência à insulina antes do diabetes justamente por causa dessas manchas. Elas costumam aparecer como um sinal precoce”, destaca a endocrinologista.
Quando o corpo passa a responder mal à ação da insulina, o pâncreas aumenta sua produção para tentar manter o açúcar no sangue sob controle. Esse excesso de insulina, além de afetar o metabolismo, age diretamente na pele, estimulando o crescimento das células cutâneas. Por isso, tratar apenas a aparência das manchas não costuma ser suficiente. “Produtos tópicos podem melhorar um pouco o aspecto da pele, mas se a causa metabólica não for tratada, o problema tende a persistir ou retornar”, alerta a dra. Carolina Mantelli.
Em crianças e adolescentes, a presença dessas manchas é considerada um sinal ainda mais importante, pois está associada a maior risco futuro de diabetes e doenças cardiovasculares. Identificar esse alerta cedo permite intervenções mais eficazes. “Quanto mais cedo ajustamos o metabolismo, maiores são as chances de evitar complicações no futuro”, reforça a médica.
O diagnóstico é feito principalmente pela avaliação clínica, mas a identificação dessas manchas geralmente leva à solicitação de exames para investigar glicemia, insulina, colesterol, funcionamento do fígado e, quando necessário, hormônios. “A pele dá a pista, mas os exames ajudam a entender a real dimensão do problema”, explica a endocrinologista.
O tratamento envolve cuidar do metabolismo como um todo, e não apenas da pele. Mudanças na alimentação, prática regular de atividade física, melhora da qualidade do sono, controle do estresse e, em alguns casos, uso de medicamentos específicos ajudam a reduzir a resistência à insulina. Com o tempo, é comum que as manchas clareiem gradualmente. “Quando a insulina começa a se normalizar, a pele costuma responder junto, refletindo a melhora do equilíbrio hormonal e metabólico”, afirma a dra. Carolina Mantelli.
Observar sinais aparentemente simples, como alterações na pele, pode ser fundamental para a prevenção de problemas mais graves. “Olhar para a pele é também olhar para a saúde metabólica e cardiovascular. Muitas vezes, o corpo começa a avisar por ali”, conclui a endocrinologista.
Fonte e foto: Assessoria de Imprensa.