Estratégias arriscadas de políticos latinos para agradar Trump

Argentine President Javier Milei shakes hands with U.S. President Donald Trump at a meeting of Trump’s “Board of Peace” during the World Economic Forum annual m

A corte de caudilhos na América Latina e suas implicações.

A corte de caudilhos na América Latina reflete a busca de líderes regionais por reconhecimento e apoio de Donald Trump, com riscos associados.

Em um cenário internacional cada vez mais volátil, líderes conservadores da América Latina estão se voltando para uma estratégia ousada: a corte de caudilhos. Essa tática envolve o cultivo de relações pessoais com Donald Trump, buscando ganhar influência na política dos EUA. O termo “caudilho” se refere a líderes carismáticos que centralizam o poder, e essa abordagem reflete a natureza personalizada do governo Trump.

A Natureza da Corte de Caudilhos

A corte de caudilhos coloca em risco os interesses estratégicos de longo prazo da região. Enquanto alguns países podem colher benefícios temporários, essa dependência de um único líder pode afetar negativamente a legitimidade interna dos políticos envolvidos, que podem ser rotulados como vendidos pelos opositores.

Um exemplo notável desse fenômeno é María Corina Machado, a líder da oposição venezuelana, que tem se esforçado para ganhar a simpatia de Trump. Apesar de suas tentativas de elogiar o ex-presidente e alinhar-se com suas narrativas, como a alegação de fraude nas eleições de 2020 nos EUA, Machado ainda não conseguiu obter apoio substancial para sua ascensão ao poder na Venezuela.

Casos de Sucesso e Fracasso

Por outro lado, Javier Milei, presidente da Argentina, teve sucesso em conquistar o apoio de Trump, recebendo sua bênção antes das eleições de 2025. A estratégia de Milei incluiu uma promessa de um swap de moeda de US$ 20 bilhões condicionado ao desempenho de seu partido nas urnas. Essa interferência direta de Trump nas eleições argentinas foi amplamente criticada, mas resultou em uma vitória significativa para a coalizão de Milei.

Da mesma forma, Nayib Bukele, presidente de El Salvador, tem se mostrado habilidoso em navegar nas preferências de Trump. Bukele utiliza as redes sociais para se comunicar diretamente com o público americano, abordando temas como crime e políticas econômicas. Sua aproximação ao governo Trump transformou El Salvador em um parceiro geopolítico chave para os EUA, especialmente em questões de imigração.

O Que Esperar no Futuro

À medida que as eleições se aproximam em outros países, como Honduras e Brasil, a competição para agradar Trump se intensifica. O acusado de corrupção e ex-presidente hondurenho, Juan Orlando Hernández, também buscou a validação de Trump, enquanto novos candidatos, como os que emergem do Brasil, tentam se alinhar com a imagem pública do ex-presidente dos EUA.

Entretanto, essa dependência de Trump pode ser arriscada. O apoio que ele demonstra pode se transformar rapidamente em descontentamento se a política americana mudar. A história já mostrou que intervenções externas podem gerar reações contrárias, como o aumento da popularidade de líderes que se opõem aos interesses dos EUA.

Conclusão

A corte de caudilhos na América Latina é uma estratégia arriscada, que pode trazer acessos temporários a influências americanas, mas também é propensa a desestabilizar as relações bilaterais em longo prazo. Os políticos que buscam a aprovação de Trump enfrentam o dilema de sacrificar a soberania nacional e a legitimidade interna por uma relação com um líder que é, por definição, volúvel e imprevisível. À medida que o cenário político global muda, as repercussões dessa estratégia podem se revelar mais desastrosas do que seus defensores imaginam.

Fonte: foreignpolicy.com

Fonte: Argentine President Javier Milei shakes hands with U.S. President Donald Trump at a meeting of Trump’s “Board of Peace” during the World Economic Forum annual m

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