A empresa enfrenta desafios após queda nos preços e tensões globais
Bunge revisa expectativas de lucro para 2026 devido à volatilidade de mercado e incertezas políticas.
A Bunge, um dos líderes globais na comercialização de grãos, divulgou nesta quarta-feira uma previsão de lucro ajustado para 2026 que não atende às expectativas de analistas. O cenário de volatilidade nos mercados de commodities, aliado a margens de lucro mais apertadas, está corroendo a lucratividade da empresa. Essa realidade não é exclusiva da Bunge, pois competidores como a ADM e a Cargill enfrentam desafios semelhantes.
Desafios no Setor de Grãos
O mercado de grãos tem apresentado uma queda acentuada nos preços, o que afeta diretamente a margem de processamento das safras. Além disso, a instabilidade política e as tensões geopolíticas têm gerado um ambiente de incertezas, dificultando a comercialização e a lucratividade do setor. Em novembro do ano passado, executivos da Bunge indicaram que as incertezas em relação à política comercial e aos biocombustíveis impactariam negativamente os lucros do quarto trimestre, uma vez que tanto os agricultores quanto os clientes estavam hesitantes em firmar contratos de longo prazo.
Impactos das Políticas de Biocombustíveis
Recentemente, rumores surgiram sobre a administração Trump, que deve anunciar a finalização das cotas de mistura de biocombustíveis até março de 2026. Inicialmente, essas cotas estavam previstas para serem definidas até outubro de 2025. Essa decisão, ao ser adiada, representa um dos maiores desafios para a política energética do governo, criando um cenário de incerteza que força as empresas a postergar decisões cruciais sobre produção e gastos.
A rival Archer-Daniels-Midland também previu um lucro ajustado para 2026 abaixo das expectativas, em função do adiamento da política de biocombustíveis nos EUA. Estes fatores ressaltam a interconexão entre as políticas governamentais e a saúde financeira das empresas no setor de grãos.
Expectativas e Consequências Futuras
Em termos de resultados financeiros, a Bunge reportou lucros ajustados de US$ 1,99 por ação no último trimestre de 2025, uma queda em relação aos US$ 2,13 por ação do ano anterior. Apesar dessa queda, o valor superou a previsão de analistas, que era de US$ 1,81 por ação. Para o ano de 2026, a empresa projeta um lucro ajustado por ação que varia entre US$ 7,50 e US$ 8,00, que está abaixo das expectativas de Wall Street, que era de US$ 8,71.
Conclusão
O cenário atual para a Bunge e o setor de grãos é complexo e desafiador. A falta de clareza nas políticas comerciais e de biocombustíveis pode impactar a capacidade de tomada de decisão em toda a cadeia produtiva. À medida que 2026 avança, será crucial acompanhar como essas incertezas moldarão o mercado e a posição da Bunge frente a seus concorrentes.
Fonte: www.moneytimes.com.br