O excesso de peso está entre os principais fatores de risco evitáveis para a doença no país
Com o Dia Mundial do Câncer em 4 de fevereiro, especialistas destacam a importância de trazer à tona um dos principais fatores de risco evitáveis da doença: a obesidade. No Brasil, o excesso de peso corporal tem se tornado cada vez mais prevalente, impulsionando, entre outras condições crônicas, o aumento do risco de múltiplos tipos de câncer.
Estudo global da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) revela que quase 40% dos casos de câncer registrados mundialmente poderiam ser evitados com a redução de fatores de risco conhecidos, entre eles o tabagismo, o consumo de álcool, o excesso de peso, infecções, a poluição do ar e a exposição excessiva ao sol.
Para a médica nutróloga Dra. Andrea Pereira, cofundadora da ONG Obesidade Brasil, o dado reforça a urgência de tratar a obesidade como uma questão central de saúde pública. “O excesso de peso provoca alterações metabólicas e inflamatórias que impactam diretamente o risco de diversas doenças, inclusive o câncer. Prevenção passa, necessariamente, pelo cuidado com a alimentação, o peso corporal e o acompanhamento médico adequado”, destaca.
Segundo o INCA, o excesso de peso e a obesidade estão fortemente associados ao desenvolvimento de pelo menos 13 tipos de câncer, incluindo tumores de estômago (cárdia), esôfago (adenocarcinoma), fígado, pâncreas, vesícula biliar, rins, intestino (cólon e reto), mama (em mulheres na pós-menopausa), endométrio, ovário, meningioma, tireoide e mieloma múltiplo, além de possíveis associações com câncer de próstata em estágio avançado e de mama em homens. Estimativas baseadas na OMS e em evidências científicas indicam que cerca de 13 a cada 100 casos de câncer no Brasil podem ser atribuídos ao excesso de peso corporal.
Na avaliação do Dr. Carlos Schiavon, cirurgião bariátrico e presidente da ONG Obesidade Brasil, a informação precisa chegar à população sem estigmas. “Quando falamos que uma parcela significativa dos cânceres pode ser evitada, estamos falando de políticas públicas, acesso ao tratamento e abordagem multidisciplinar da obesidade. Não se trata de responsabilizar o indivíduo, mas de oferecer suporte para que escolhas mais saudáveis sejam possíveis ao longo da vida”, afirma.
A obesidade no país é um problema de saúde pública em crescimento: o Brasil tem registrado níveis elevados de excesso de peso e obesidade entre adultos, impulsionados por mudanças nos padrões alimentares e estilos de vida, fatores que contribuem diretamente para o aumento do risco oncológico e de outras doenças crônicas.
De acordo com dados recentes revelados pelo Ministério da Saúde, o percentual de brasileiros com obesidade mais do que dobrou no período entre 2006 e 2024. O índice, que era de 11,8%, chegou a 25,7%. Em 2006, 42,6% dos adultos apresentavam excesso de peso; em 2024, esse número subiu para 62,6%.
Fonte: Assessoria de Imprensa. / Foto: Freepik.