Revogação de licitação impacta ações da companhia no curto prazo
As ações da Marcopolo caem 4,46% após cancelamento de licitação de ônibus escolares.
As ações da fabricante de carrocerias Marcopolo (POMO4) enfrentaram uma queda de 4,46% às 14h desta terça-feira, sendo negociadas a R$ 5,21. O fator desencadeante foi a decisão do Governo Federal de revogar a licitação do novo ciclo do programa Caminho da Escola, que previa a aquisição de aproximadamente 7,5 mil ônibus escolares, essencial para a companhia.
Contexto da Decisão do Governo
A revogação, anunciada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), não se trata apenas de uma suspensão temporária, mas um cancelamento efetivo, que visa adequar o edital a uma nova legislação de isenção tributária. Essa mudança requer a realização de novos estudos técnicos antes que um edital revisado possa ser publicado, sem previsão clara para um novo chamamento.
Historicamente, o programa Caminho da Escola representa uma parte significativa das receitas da Marcopolo. Com o cancelamento, a empresa enfrenta a possibilidade de um hiato na produção, especialmente em um momento em que sua carteira de pedidos relacionada ao programa está se esgotando rapidamente.
Impactos Imediatos no Mercado
Na análise do Itaú BBA, a decisão é considerada negativa para a Marcopolo no curto prazo. Os analistas, liderados por Gabriel Rezende, ressaltam que, embora haja confiança em que um novo edital será emitido, o cancelamento cria um cenário de incerteza. O novo ciclo do Caminho da Escola é responsável por cerca de 10% do volume total projetado para a Marcopolo em 2026, o que torna crucial a continuidade dos pedidos para a visibilidade de produção e receitas.
O relatório menciona que a dependência da companhia de grandes programas públicos torna o mercado mais cauteloso, levando à rápida precificação do risco na queda das ações. No entanto, existem fatores que podem atenuar os impactos negativos, como o contrato com a Volkswagen para fornecer até 3 mil micro-ônibus ao Ministério da Saúde em 2026, que pode aliviar a pressão sobre a produção da Marcopolo.
Perspectivas Futuras
Apesar da turbulência, o Itaú BBA manteve sua recomendação de desempenho superior para a Marcopolo, com um preço-alvo de R$ 10,00 até o final de 2026. A expectativa é de que, ao menos 700 unidades desse contrato se convertam em pedidos firmes, ajudando a compensar os atrasos do Caminho da Escola. Contudo, a dependência dos programas públicos permanece uma preocupação que o mercado seguirá monitorando de perto.
A situação atual da Marcopolo é um reflexo das complexidades que cercam as relações entre o setor privado e as políticas públicas. A habilidade da empresa em navegar por essas águas instáveis será fundamental para sua recuperação e crescimento futuro.
Fonte: www.moneytimes.com.br