Investimentos no setor farmacêutico europeu continuam em alta

Angel Soler Gollonet/Shutterstock.com

Apesar dos desafios, fabricantes veem oportunidades na Europa

Fabricantes farmacêuticos continuam a investir na Europa, apesar de desafios e tarifas. O cenário atual revela oportunidades significativas.

A indústria farmacêutica na Europa está passando por um momento de transformação e crescimento, mesmo diante de desafios significativos como tarifas comerciais e a forte competição de mercados como os Estados Unidos e a China. A queda da participação europeia na fabricação internacional de produtos farmacêuticos, que passou de 42% para apenas 10% nas últimas duas décadas, destaca a necessidade de inovação e adaptação.

O panorama da fabricação farmacêutica na Europa

Durante a pandemia de Covid-19, a escassez de medicamentos revelou as fragilidades da capacidade de fabricação na Europa. Em resposta, a Comissão Europeia introduziu o “Pacote Farmacêutico da UE”, que visa reformar as leis farmacêuticas da região. Este pacote inclui cláusulas que exigem que as empresas garantam o fornecimento adequado de medicamentos, ou então enfrentarão a perda de proteções de mercado. Além disso, a proposta reduz o período de proteção de marketing de dois anos para um, embora mantenha uma proteção de dados de oito anos.

Essas mudanças visam estimular a produção local e garantir que a Europa não dependa excessivamente de fornecedores externos. A expansão da exceção Bolar, que permite que dados proprietários sejam utilizados para o desenvolvimento de genéricos e biossimilares, é uma tentativa de acelerar a competição e facilitar o lançamento de novos produtos no mercado.

Investimentos em meio aos desafios

Apesar das incertezas, empresas farmacêuticas e organizações de desenvolvimento e fabricação contratual (CDMOs) continuam a investir na Europa. Em abril de 2025, 32 empresas, incluindo AstraZeneca e Roche, assinaram uma carta ao presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressando sua insatisfação com o ambiente regulatório e ameaçando retirar investimentos de €16,5 bilhões planejados para os próximos três anos.

Entretanto, novos projetos de fabricação estão surgindo. Em outubro de 2025, a AGC Pharma Chemicals, uma subsidiária do grupo japonês AGC, inaugurou uma nova planta em Barcelona para a produção de ingredientes farmacêuticos ativos (APIs) altamente potentes. Esse investimento de mais de €100 milhões reflete uma estratégia regionalizada, especialmente em resposta à hesitação dos clientes americanos em se abastecer de fornecedores chineses.

O futuro da fabricação farmacêutica na Europa

A indústria farmacêutica pode estar em um ponto de inflexão, com oportunidades crescentes para empresas que buscam diversificar suas cadeias de suprimentos. A decisão de muitos desenvolvedores americanos de procurar alternativas na Europa é impulsionada não apenas pelas tarifas, mas também pela qualidade e regulamentos rigorosos que são vistos como um diferencial competitivo. A experiência científica acumulada ao longo de décadas, especialmente em locais como a Alemanha, oferece uma vantagem significativa na produção de bioprodutos.

O caso da Mabion, uma empresa com sede na Polônia, exemplifica essa nova realidade. A empresa propõe que as empresas americanas façam sua fabricação na Europa para controlar custos e garantir uma parceria confiável. Essa abordagem não só reduz despesas de transporte, mas também permite que as empresas operem dentro de um ambiente regulatório familiar e rigoroso.

Além disso, a Rentschler Biopharma, com sede em Laupheim, está investindo fortemente em suas instalações, enfatizando seu compromisso com o futuro da biotecnologia na Europa. Com um investimento significativo planejado para 2024, a companhia espera aumentar sua capacidade de produção e expandir suas operações tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.

Conclusão

Embora a indústria farmacêutica europeia enfrente um cenário desafiador, as recentes iniciativas e investimentos indicam que há um potencial significativo para revitalizar o setor. À medida que a região se adapta aos novos desafios do mercado global, a combinação de experiência, qualidade e regulamentações rigorosas pode consolidar a Europa como um polo atraente para a fabricação farmacêutica no futuro.

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