Erros de português em escola cívico-militar geram repercussão

Debate sobre a atuação de monitores em unidades de ensino

Registro de erros de português durante atividade escolar em Caçapava gera debate sobre a atuação de monitores.

O início do ano letivo trouxe à tona um episódio que gerou grande repercussão nas redes sociais: erros de português cometidos por monitores em uma escola cívico-militar de Caçapava, interior de São Paulo. Durante uma atividade, palavras como “descançar” e “continêcia” foram escritas erroneamente no quadro, levando a um debate sobre o papel desses profissionais no ambiente escolar.

O Papel dos Monitores nas Escolas Cívico-Militares

A atuação dos monitores, que são em sua maioria policiais militares aposentados, tem gerado questionamentos. Segundo informações da Secretaria da Educação do Estado, esses profissionais não devem exercer funções pedagógicas nem atuar diretamente em sala de aula. Em nota, a secretaria esclareceu que a participação dos monitores foi pontual e que a responsabilidade pelo conteúdo pedagógico continua a ser exclusivamente dos professores.

Nesse contexto, é fundamental entender que a presença desses monitores se destina a apoiar a organização escolar, enfatizando valores como disciplina e respeito. Eles passam por avaliações semestrais para que se verifique sua adaptação ao ambiente escolar. Atualmente, cerca de cem escolas na rede paulista adotam esse modelo, beneficiando aproximadamente 53 mil estudantes.

Críticas e Questionamentos

Apesar da defesa do governo estadual, o modelo cívico-militar enfrenta críticas. A Apeoesp, sindicato que representa os professores da rede estadual, manifestou-se contra a presença de militares aposentados nas escolas, questionando a falta de formação pedagógica desses profissionais. Segundo a entidade, a promoção de disciplina e valores cívicos deve ser realizada pelos próprios docentes, dentro de um contexto educativo.

A implementação desse modelo, que custa cerca de R$ 17 milhões anuais, representa uma das promessas da atual gestão estadual. Com essa abordagem, o governo pretende reforçar a ordem e a disciplina nas instituições de ensino. Contudo, a eficácia dessa estratégia e seu impacto na qualidade do ensino continuam a ser amplamente debatidos.

O Futuro das Escolas Cívico-Militares

A polêmica em torno dos erros de português levanta questões mais amplas sobre a educação no Brasil. O foco na disciplina e na formação de valores cívicos é importante, mas deve ser complementado por uma base sólida de conhecimento acadêmico. O desafio reside em equilibrar esses aspectos, garantindo que a aprendizagem não seja comprometida por uma abordagem excessivamente militarizada.

Conclusão

O episódio em Caçapava serve como um alerta sobre a necessidade de um olhar crítico acerca das práticas pedagógicas nas escolas cívico-militares. A atuação dos monitores deve ser sempre discutida em conjunto com os profissionais da educação, garantindo que o foco permaneça na formação integral dos alunos.

Fonte: baccinoticias.com.br

PUBLICIDADE

VIDEOS

Relacionadas: