Análise da situação atual da OranjeBTC e perspectivas futuras.
As ações da OranjeBTC caem mais de 60% desde o IPO, e o CEO discute a estratégia futura em meio a um mercado volátil.
A OranjeBTC (OBTC3) é uma nova participante no mercado de ações brasileiro, tendo feito sua estreia no Novo Mercado por meio de um IPO reverso. Com a ambição de se tornar a principal empresa de tesouraria de Bitcoin (BTC) do Brasil, a companhia, no entanto, se vê em uma situação desafiadora, com suas ações caindo mais de 63% desde outubro de 2025. Atualmente, as ações estão sendo negociadas abaixo do mNAV, uma métrica que compara o valor de mercado da empresa ao total de Bitcoins que possui. Um mNAV inferior a 1 é um indicativo de que a empresa não está extraindo valor de suas reservas de BTC, o que pode ser um sinal preocupante para investidores.
A situação do Bitcoin também é crítica, com uma queda acumulada de 18% no início de 2026, levantando incertezas sobre o futuro do ativo digital. Em uma recente coletiva de imprensa, o CEO da OranjeBTC, Guilherme Gomes, elucidou as operações da empresa e suas perspectivas. Segundo Gomes, a empresa não adota um modelo de “preço justo” para o Bitcoin, mesmo que o preço médio de compra esteja na faixa dos US$ 105 mil, significativamente acima dos atuais US$ 74,4 mil, conforme informações do Coin Market Cap.
Gomes foi enfático ao afirmar que a companhia não planeja vender parte de seus Bitcoins para tentar reverter a atual situação. “Não existe preço nenhum para o Bitcoin que causaria dor de cabeça à companhia. Não temos chamada de margem e nossa estrutura de dívida está bem saudável”, disse. Ele também destacou que a estratégia da OranjeBTC é de longo prazo, comparando-a com a bem-sucedida Bitcoin Treasury da Strategy, liderada por Michael Saylor. “Estamos pensando em um horizonte de preço de 5 a 10 anos e acreditamos que o Bitcoin estará em um patamar superior ao atual”, afirmou.
Outro ponto destacado foi a estratégia da empresa em realizar recompras de ações no mercado, mais frequentes do que a aquisição de novos Bitcoins. Gomes acredita que a recente queda no preço das ações não é justificada e que há um potencial significativo para a valorização futura.
As Bitcoin Treasuries representam empresas que alocam parte de seu caixa em ativos digitais, lidando com a volatilidade da criptomoeda, enquanto investidores que compram Bitcoin diretamente devem gerenciar operações constantes. A tese da OranjeBTC, embora inovadora, ainda não conquistou a confiança total dos investidores, levando Gomes a enfatizar que a educação sobre criptomoedas é um dos pilares da empresa.
“Educação não é um aspecto marginal, mas sim crucial para nossa proposta. O Bitcoin é isso: quanto mais você sabe, mais você investe e mais confiança ganha”, destacou. A OranjeBTC, que era antes uma empresa de capital fechado, fundiu-se com a rede de cursinhos Integraus, já listada na B3, em um movimento que caracteriza um IPO reverso. Desde então, a empresa tem se focado na acumulação de Bitcoins.
Atualmente, a OranjeBTC possui 3.722 Bitcoins, avaliados em aproximadamente US$ 274 milhões, consolidando-se como a maior empresa de tesouraria de Bitcoin da América Latina. Gomes finaliza, afirmando que o objetivo da companhia permanece o mesmo: aumentar o volume de Bitcoins por ação. “Se conseguirmos responder afirmativamente à pergunta de se aumentamos o montante de Bitcoin por ação para nossos investidores, teremos alcançado nossa meta.”
Fonte: www.moneytimes.com.br
Fonte: m Renan Sousa Equipe Money Times