Análise do desempenho e expectativas futuras
BrasilAgro (AGRO3) reportou lucro de R$ 2,5 milhões no 2T26, revertendo prejuízo anterior.
Desempenho financeiro da BrasilAgro
A BrasilAgro (AGRO3) divulgou seu resultado financeiro do segundo trimestre do ano-safra 2025/26 (2T26), reportando um lucro líquido de R$ 2,5 milhões. Este resultado marca uma recuperação em relação ao prejuízo do mesmo período do ano anterior, porém, o desempenho operacional da empresa ainda apresenta desafios significativos. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado totalizou R$ 6,995 milhões, uma queda expressiva de 77% em comparação anual.
Fatores que influenciaram o resultado
O desempenho da BrasilAgro foi fortemente afetado pela baixa na produção de cana-de-açúcar, que sofreu uma redução de 52% na quantidade faturada, caindo para 167,4 mil toneladas. A receita proveniente da cana caiu 56%, resultando em R$ 28,1 milhões. Apesar disso, a produção de grãos, em especial a soja, teve um desempenho mais robusto, com um aumento de 33% nas receitas, totalizando R$ 61,1 milhões. Outros produtos, como milho e algodão, também contribuíram positivamente para o resultado.
Por outro lado, os analistas da Genial Investimentos destacaram que o trimestre foi marcado por um desempenho sazonalmente fraco, principalmente devido à queda nos volumes de cana e à ausência de vendas de terras. Embora a comercialização de grãos tenha sido mais forte, isso não conseguiu compensar integralmente os desafios enfrentados pela BrasilAgro.
Expectativas e análises dos especialistas
Os analistas Igor Guedes e Luca Vello enfatizam que a volatilidade observada nos resultados deve ser interpretada dentro de um contexto sazonal e contábil. A dinâmica de custos, segundo eles, continua favorável, uma vez que muitos insumos foram adquiridos antes dos recentes aumentos de preços, sustentando margens melhores na maioria das culturas.
A XP Investimentos também avaliou o resultado da BrasilAgro como fraco, citando a safra de cana-de-açúcar como um ponto negativo. Além disso, a corretora mencionou a dificuldade nas bases comparáveis devido à ausência de vendas de fazendas no período.
Analistas da XP, incluindo Leonardo Alencar, Pedro Fonseca e Samuel Isaak, observaram uma melhoria nas condições climáticas recentemente, o que pode favorecer a safra de fevereiro, especialmente para o milho. Entretanto, o monitoramento das chuvas em março e abril será crucial.
Perspectivas futuras e recomendações
Apesar das revisões negativas de produtividade para soja e algodão, as perspectivas para a cana-de-açúcar permanecem otimistas. Tanto o BTG Pactual quanto a Genial Investimentos mantiveram suas recomendações de compra para a AGRO3, ambos com um preço-alvo de R$ 25.
O BTG também destacou que as estimativas revisadas para a safra 2025/26 mostraram-se mais fracas do que o esperado, com o milho apresentando um aumento de 1,4% na produtividade, enquanto soja e algodão enfrentaram revisões negativas. A BrasilAgro continua a buscar estratégia de reciclagem de portfólio, utilizando vendas anteriores de terras para adquirir novas propriedades.
Conclusão
O resultado da BrasilAgro no 2T26 reflete uma complexidade de desafios e oportunidades. A recuperação no lucro líquido é uma boa notícia, mas a empresa ainda precisa enfrentar a pressão em sua operação de cana-de-açúcar e adaptar-se às dinâmicas do mercado agrícola. As análises dos especialistas indicam que, apesar das dificuldades, a companhia possui fundamentos que podem sustentá-la no futuro, desde que as condições climáticas e de mercado sejam favoráveis.
Fonte: www.moneytimes.com.br