Alarme sobre a tentativa de Trump de controlar as eleições

Especialistas alertam para as intenções de interferência do ex-presidente nas eleições de meio de mandato

Especialistas em democracia alertam sobre a retórica de Trump e suas intenções de interferir nas eleições de 2026.

Donald Trump acendeu um sinal de alerta nesta semana ao sugerir que seu governo deveria “assumir o controle das votações” em alguns estados, uma declaração que se seguiu a uma operação sem precedentes do FBI em um escritório eleitoral na Geórgia. Embora especialistas em eleições afirmem que não há dúvida de que o presidente não possui autoridade sobre os processos eleitorais, eles advertem que sua retórica corrosiva deixa claro seu intento de interferência.

O Contexto da Interferência Eleitoral

Nos últimos meses, a administração Trump tem alimentado dúvidas sobre a integridade das eleições nos EUA, utilizando uma série de processos legais que visam criar a impressão de que os estados não estão fazendo o suficiente para impedir a inclusão de eleitores inelegíveis nas listas. Essa narrativa ganhou força com a recente invasão do escritório eleitoral em Fulton County, Geórgia, onde o FBI apreendeu cédulas e outros materiais relacionados à eleição de 2020. Após essa operação, Trump intensificou seus ataques, afirmando que o governo federal deveria assumir o controle das eleições.

Em uma entrevista recente, Trump disse: “Os republicanos deveriam dizer: ‘Queremos assumir’. Devemos assumir o controle das votações em pelo menos 15 locais. Os republicanos deveriam nacionalizar a votação.” Essa declaração não só gera preocupações sobre a sua intenção de interferir nas eleições, mas também coloca em dúvida a a capacidade de controle do presidente sobre um processo que, segundo a Constituição dos EUA, deve ser conduzido pelos estados.

As Reações e Consequências da Retórica de Trump

A vice-presidente do Brennan Center for Justice, Wendy Weiser, declarou que a situação atual exige atenção imediata. “Não devemos esperar pela próxima ação”, disse ela. “Há um esforço claro para se apoderar de alguns dos mecanismos das nossas eleições e para estabelecer a base para interferir nas próximas eleições.” De acordo com a Constituição, apenas os estados têm autoridade para conduzir eleições, e o Congresso pode criar regras nacionais para eleições federais. No entanto, Trump e seus aliados insistem que o presidente pode ainda exercer algum poder de emergência para controlar o processo eleitoral.

Cleta Mitchell, uma advogada conservadora e aliada de Trump, sugeriu que o presidente poderia utilizar poderes de emergência para proteger as eleições. “A autoridade do presidente é limitada em relação às eleições, exceto onde há uma ameaça à soberania nacional dos Estados Unidos”, afirmou Mitchell. No entanto, especialistas refutam essa ideia, afirmando que o presidente não possui poderes de emergência que se estendam às eleições.

O Futuro da Integração dos Processos Eleitorais

A presença de Tulsi Gabbard, diretora de inteligência nacional, na invasão do escritório eleitoral da Geórgia, intensificou as preocupações sobre a interferência eleitoral. Gabbard está investigando equipamentos de votação e possíveis interferências externas, o que levanta questões sobre a utilização de autoridades federais em questões eleitorais. Além disso, Steve Bannon, ex-estrategista de Trump, sugeriu o uso de agentes da imigração para ‘cercar’ as urnas nas próximas eleições, uma ação que violaria a legislação federal.

Essas declarações e ações são vistas por muitos como tentativas de socializar ideias ilegalmente, alterando as expectativas públicas sobre o que é permitido dentro do sistema eleitoral. Especialistas alertam que essa retórica não é apenas perigosa, mas também uma tentativa de desmoralizar o processo democrático, levando a uma possível erosão da confiança nas instituições eleitorais.

Conclusão

As recentes declarações de Donald Trump e a retórica de seus aliados representam uma preocupação significativa para a integridade das eleições nos EUA. A possibilidade de interferência, seja por meio de uma tentativa de controle ou de ações coercitivas nos locais de votação, demanda uma vigilância constante. A defesa da integridade do processo eleitoral é essencial para garantir que a democracia americana permaneça robusta e funcional, e todos os cidadãos devem estar cientes das implicações dessas ações.

Fonte: www.theguardian.com

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