A recente decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de solicitar esclarecimentos sobre o uso de um vídeo com inteligência artificial de Jair Bolsonaro (PL) no lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) gerou desconforto no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ministros do TSE consideram a medida uma forma de interferência e pressão do colega do Supremo.
Na sua decisão, Moraes afirmou que as explicações da defesa do ex-presidente são essenciais para determinar se houve "flagrante desrespeito à legislação eleitoral" por parte de Flávio Nantes Bolsonaro e do Partido Liberal. Essa situação trouxe à tona a discussão sobre a jurisdição adequada para tratar do uso da tecnologia em campanhas eleitorais.
Integrantes do TSE, que preferiram manter suas avaliações em reserva, acreditam que a análise sobre a utilização de tecnologias e possíveis irregularidades deve ser feita pelo próprio tribunal, não pelo STF. Essa perspectiva indica uma crescente tensão entre as duas cortes, com ministros do TSE afirmando que a situação não é isolada e reflete uma tendência de o Supremo se envolver em questões que consideram ser puramente eleitorais.
A inquietação no TSE é compartilhada por membros do Ministério Público Eleitoral, que observam que decisões recentes e atitudes de ministros do STF demonstram uma dinâmica de "lei do mais forte". Essa dinâmica sugere que o STF pode desconsiderar ordens do TSE que não se alinhem com sua visão. A equipe legal de Flávio Bolsonaro também expressou preocupação, acreditando que o STF pode agir mesmo que uma decisão beneficie a candidatura do senador no caso envolvendo a IA.
Além disso, a atuação de Moraes e de outros ministros do STF causou incômodo entre os colegas do TSE, e a situação já é monitorada por líderes da corte eleitoral. A expectativa é que essa disputa entre os tribunais persista, moldando o cenário do Judiciário durante o ano eleitoral de 2024.
Outra decisão recente de Moraes determinou que a Procuradoria-Geral Eleitoral analisasse uma carta escrita por Jair Bolsonaro e lida por Flávio, que foi considerada como propaganda eleitoral antecipada. O ministro também impôs restrições ao ex-presidente, proibindo-o de realizar manifestações político-eleitorais e suspendendo visitas de Flávio ao pai por um período de 90 dias, que termina após o primeiro turno da eleição.