A cidade autônoma de Ceuta, situada no Norte da África, tem enfrentado uma crescente crise migratória, resultando na mobilização de agentes das autoridades da Espanha. A chegada de milhares de imigrantes ao território tem sobrecarregado a polícia local e impactado a rotina dos residentes, que, em alguns casos, optaram por fechar seus negócios devido ao receio de distúrbios.
Ceuta, junto com Melilla, outra cidade autônoma da Espanha na região, representa a única fronteira terrestre da União Europeia com a África. Periodicamente, ambas as cidades registram picos de tentativas de travessia por imigrantes que buscam alcançar a Europa em busca de melhores condições de vida.
Localizada a cerca de 30 quilômetros do território continental espanhol, Ceuta é uma pequena península com aproximadamente 18 km² e uma população de cerca de 85 mil habitantes. Desde 1580, Ceuta pertence à Espanha, e a maneira mais comum de chegar até lá a partir do continente europeu é através de balsas que partem de Algeciras, uma cidade portuária do lado espanhol do Estreito de Gibraltar.
A cidade se tornou uma porta de entrada para muitos imigrantes em busca de oportunidades na Europa. Para proteger essa fronteira, o território espanhol é cercado por torres de vigilância e arame farpado, elementos que se tornaram visíveis na paisagem local. O Marrocos, que faz fronteira com Ceuta, frequentemente utiliza a questão migratória como moeda de troca política, ameaçando abrir sua fronteira e permitir que um grande número de imigrantes tente entrar na União Europeia.
A multiculturalidade de Ceuta é uma de suas características marcantes. A cidade oferece uma variedade de influências culturais, visíveis em sua gastronomia, arquitetura e história. Os visitantes podem explorar desde bares de tapas até catedrais católicas, além de locais históricos como o Museu da Basílica Romana, que abriga algumas das relíquias cristãs mais antigas do Norte da África. Os Banhos Árabes e a arquitetura mourisca também são destaques na cidade.
Historicamente, Ceuta tem sido objeto de disputas territoriais. No século XVIII, o Sultão do Marrocos não conseguiu conquistar a cidade após um cerco de 30 anos, e tentativas subsequentes também falharam. As disputas fronteiriças ao longo dos séculos resultaram em conflitos até que grande parte do Marrocos foi colonizada por potências europeias, como a Espanha e a França, nos séculos XIX e XX.