Transformações culturais e econômicas influenciam o mercado de vinhos.
O consumo de vinho na Argentina registrou uma queda alarmante de mais de 20%, refletindo mudanças culturais e desafios econômicos.
O consumo de vinho na Argentina, um dos principais símbolos da cultura nacional, enfrenta uma crise sem precedentes, com uma redução superior a 20% nos últimos anos. O Instituto Nacional de Vitivinicultura (INV) revelou que o consumo per capita caiu para 15,77 litros anuais, o menor índice registrado em várias décadas. Em 1970, o consumo chegava a impressionantes 90 litros por pessoa, refletindo uma mudança drástica nos hábitos de consumo da população.
Mudanças Culturais e Crise do Vinho
Nos últimos cinco anos, a queda no consumo de vinho foi de 22,6%, e o último ano positivo foi 2020, quando a pandemia incentivou o isolamento social e o redescobrimento de prazeres como o vinho. Desde então, a tendência de queda se acentuou. Em 2025, a comercialização de vinho no país registrou um recuo de 2,7% e as projeções para os próximos anos não são animadoras. No entanto, o que realmente assombra a indústria vinícola argentina não é apenas a crise econômica, mas uma mudança cultural significativa: o aumento da conscientização sobre saúde e a rejeição ao álcool.
Fatores que Contribuem para a Queda
1. Queda do consumo global: O cenário não é isolado. O consumo mundial de vinho atingiu em 2025 o nível mais baixo desde 1961, com uma queda acentuada em mercados como os Estados Unidos e China, onde fatores culturais e econômicos influenciam a escolha de bebidas.
2. Mudança de hábitos: Após a pandemia, os consumidores têm se mostrado mais conscientes sobre a saúde, optando por estilos de vida que priorizam atividades físicas e alimentação saudável, resultando em uma moderação no consumo de álcool.
3. Legislação de álcool zero: A nova legislação que proíbe o consumo de álcool ao volante e as multas severas têm desestimulado o hábito de consumir vinho, especialmente entre motoristas.
4. Problemas financeiros nas vinícolas: As vinícolas estão enfrentando sérios problemas de rentabilidade, com aumento de custos e a necessidade de reduzir a área cultivada devido ao baixo retorno. As vendas internacionais também caíram, atingindo o menor nível em 20 anos.
5. Mudança nas prioridades de consumo das famílias: Com a inflação elevada e o aumento dos custos de vida, itens considerados não essenciais, como bebidas alcoólicas, estão sendo cortados do orçamento familiar.
O Futuro do Setor Vinícola Argentino
As perspectivas para o setor são desafiadoras. No entanto, há sinais de adaptação. Há uma crescente inclusão do vinho em contextos mais informais e junto a outras bebidas, especialmente entre os jovens. Essa mudança poderia oferecer um caminho para a resiliência do setor, que ainda é profundamente enraizado na cultura argentina. Com a exploração de novas formas de consumo e a adaptação às novas exigências dos consumidores, o vinho pode ainda encontrar espaço para ressurgir no mercado.
A crise do vinho na Argentina é, portanto, um reflexo de uma complexa intersecção de fatores culturais, econômicos e sociais. Para que o setor se recupere, será fundamental entender e adaptar-se a essa nova realidade.
Fonte: www.moneytimes.com.br