Ah, caros leitores, em um mundo onde o efêmero reina como um tirano disfarçado de palhaço, permitam-me evocar o espírito de Júpiter Tonante (Júpiter, o Trovoador), cuja ira celeste nos lembra que a verdadeira grandeza não se mede em likes efêmeros, mas na eternidade das lições antigas. Como tribuno romano extraviado neste século de algoritmos vorazes, observo com uma decepção irônica – ah, que prazer estético na melancolia! – como nossa geração se afoga em carnavais vazios e memes que evaporam como névoa ao amanhecer. Onde está o fogo de Prometeu, roubado para iluminar almas, em meio a essa farra de futilidades?
Ponderemos, amici (amigos), a importância da mitologia romana, esse tesouro sepultado sob camadas de distrações modernas. Roma não ergueu impérios com scrolls infinitos de bobagens; seus deuses e heróis – de Marte, o guerreiro implacável, a Vênus, encarnação do desejo elevado – teciam narrativas que forjavam caráter. Janus bifrons (Jano de duas faces), guardião das portas, nos ensina a olhar para o passado enquanto avançamos, uma lição que nossa era ignora, preferindo o espelho narcisista das telas. Por que mitologia romana? Porque ela é o alicerce da cultura ocidental: influencia nossa linguagem – “jovial” vem de Jove, outro nome para Júpiter – nossa arte, onde ecoam as façanhas de Hércules em heróis de quadrinhos, e até nossa lei, moldada pelo Código de Justiniano, inspirado nos mitos de justiça divina.
Mas vejam só, nesta geração obcecada por mentorias milagrosas – ah, esses charlatães prometendo fortunas de 300, 400 mil mensais sem suar uma gota de esforço intelectual! – quantos se dignam a abrir um livro? Não falo de leituras cultas para ostentar, mas de imersão em histórias que engrandecem: as guerras de César, as intrigas de Cícero, ou os mitos de Ovídio em “Metamorfoses”, onde transformações divinas espelham nossas próprias mutações internas. Ler não é passatempo; é elevatio animae (elevação da alma), um antídoto contra o vazio que consome jovens perdidos em loops de vídeos curtos. Programas inteligentes, construtivos – aqueles que mudam vidas, como debates filosóficos ou explorações históricas – são raros como um oráculo veraz. Eles constroem, não distraem; inspiram ações que transcendem o imediato, como o Senado romano deliberando o destino de nações.
Tá na hora, compatriotas, de fazermos a diferença! Imaginem: em vez de memes que riem da própria insignificância, conteúdos que invocam o ethos romano – virtus (virtude), pietas (dever) – para combater a apatia. Pessoas preocupadas com coisas que não constroem ninguém: carnaval que dura uma noite, mas deixa ressaca eterna; mentorias vazias que enchem bolsos, mas esvaziam mentes. Nós podemos crescer lendo, sim – lendo história, mitologia, cultura que expande horizontes.
A mitologia romana nos mostra que deuses caem, heróis ressurgem; ela cutuca tabus, revela profundezas, como o submundo de Plutão expondo nossas sombras.
E se perdermos isso? Ah, que tragédia shakespeariana, inspirada nos romanos! Nossa sociedade, já frágil como o Coliseu em ruínas, desaba em futilidade. Mas ei, há esperança: programas que elevam, como minhas entrevistas teatrais, misturando latim e ironia para provocar o intelecto. Vamos resgatar o fogo sagrado de Vesta, deusa do lar e da continuidade, para aquecer corações frios por telas.
Enfim, em meio a esse caos, recordemos: “Tempus fugit” (o tempo voa), mas a sabedoria romana perdura. Que nossa geração, ao invés de dançar no abismo, erga templos de conhecimento – ou pereça na irrelevância. Sic transit gloria mundi (assim passa a glória do mundo), mas a verdadeira glória, ah, reside na mente cultivada.