Estudo e acompanho situações das mais diversas na minha clínica de doenças respiratórias há mais de 46 anos: crianças com dificuldades respiratórias básicas até casos mais complexos de malformações, cardiopatias congênitas, doenças genéticas, asma, sequestros pulmonares, aspiração de corpo estranho na via respiratória e muitas outras condições desafiadoras.
Após a transição da infância para a juventude e, depois, para a vida adulta — e para o “jovem de mais tempo” — as situações tornam-se cada vez mais interessantes e complexas.
Outros fatores entram nesse grande tabuleiro da vida e da existência: alguns desencadeados pela genética; outros, pela alimentação; outros, pela inalação de substâncias relacionadas ao trabalho (doenças respiratórias ocupacionais); outros, pela inalação de VOCs (compostos orgânicos voláteis); e alguns pelo uso de medicamentos que podem causar broncoespasmo ou até fibrose pulmonar.
Entretanto, as doenças mais frequentes ainda são aquelas decorrentes da falta de controle em relação ao tabagismo, ao uso de vape (VAP) e a outras drogas ilícitas, como a cocaína.
Nas doenças de fundo hereditário e também naquelas influenciadas pelo ambiente em que cada pessoa vive, encontramos as sinusites crônicas e a asma brônquica, com incidência acentuada.
Todos esses problemas acabam se revelando pela falha de alguma parte do maravilhoso sistema respiratório — que engloba vários órgãos e mecanismos — e que tem o ápice do seu ciclo na respiração celular.
A qualidade do ar que respiramos é um fator inicial desse processo. Sua composição, em termos gerais, inclui: nitrogênio (78%), oxigênio (21%), argônio (0,93%), dióxido de carbono (0,04%), vapor de água e traços de neônio, hélio, metano, ozônio e outros componentes do ambiente em que vivemos.
O conjunto de estruturas pelas quais o ar precisa passar para chegar aos alvéolos pulmonares e permitir uma troca saudável entre oxigênio e dióxido de carbono deve estar em condições apropriadas. Uma fossa nasal inadequada, com hipertrofia de cornetos, cornetos bolhosos, desvio de septo ou mesmo colapso inspiratório, precisa ser considerada. Hipertrofia de adenoides, polipose nasal, hipertrofia de amígdalas, traqueomalácia, malformações vasculares com compressão de traqueia ou de brônquios, tumores na árvore brônquica — enfim, múltiplos fatores podem estar envolvidos.
Outros aspectos decorrem da qualidade da membrana alvéolo-capilar, que pode estar alterada e impedir boa oxigenação: fibrose pulmonar, enfisema e outras patologias que comprometem o parênquima pulmonar.
A anemia também pode estar envolvida nesse processo: um menor número de hemoglobina prejudica o transporte adequado de oxigênio. Algumas hemoglobinopatias também podem estar presentes.
Todos esses mecanismos exigem um coração funcionando normalmente, pois trata-se de um trabalho integrado e sinérgico.
Ao chegarmos a essa fase, precisamos considerar também a respiração celular. A ventilação alveolar leva oxigênio aos alvéolos; esse oxigênio difunde-se para o sangue e chega aos tecidos. A respiração celular utiliza esse oxigênio para produzir energia (ATP) e gera dióxido de carbono. O dióxido de carbono retorna ao sangue e é eliminado pelos pulmões por meio da ventilação alveolar.
Esse mecanismo maravilhoso é comandado pela central da respiração, controlada por redes neurais automáticas no tronco encefálico (bulbo e ponte).
No bulbo, circuitos como o complexo pré-Bötzinger geram o ritmo ventilatório, alternando inspiração e expiração. O padrão da respiração é regulado por centros bulbares e também pela ponte, que ajusta o tempo inspiratório e a frequência respiratória.
O controle ventilatório depende de retroalimentação química e mecânica. Os quimiorreceptores centrais respondem a alterações da PaCO₂, por meio do pH no líquido cefalorraquidiano.
O mecanismo de segurança diante da hipoxemia (queda do oxigênio) é regulado pelos quimiorreceptores periféricos, especialmente os corpos carotídeos, sensíveis à queda da PaO₂ e também a variações de pH e CO₂.
Os mecanorreceptores pulmonares e das vias aéreas ajustam o padrão ventilatório conforme o estiramento, a presença de irritantes e estímulos de receptores intersticiais.
A via espinhal, por meio do nervo frênico (C3–C5), ativa o diafragma, os músculos intercostais e os músculos acessórios para suprir a necessidade ventilatória.
A descrição desse mecanismo — ainda que de forma sucinta — nos faz pensar na grandiosidade da Criação, que permite processos precisos, minuciosamente desenhados para nos fornecer a energia retirada do ar que respiramos e dos alimentos que ingerimos.
O sentimento de gratidão brota de forma natural, na inspiração e na expiração profundas do nosso sistema respiratório.
Isso nos mantém vivos e livres para pensar, refletir, selecionar e realizar as melhores escolhas conscientes em nossa vida.
RESPIRAR COM LIBERDADE O AR PURO DA CRIAÇÃO UNIVERSAL É ESTAR EM SINTONIA COM O CRIADOR DO UNIVERSO.
Dr. Paulo Benites
Pneumologista, Alergista e Imunologista
CRM-SC 2631 | RQE 213 / 5931
Membro da Fundação Logosófica
18.02.26
Jornalista Pedro Ernesto Macedo