CFO do BTG Pactual analisa cenário favorável para ofertas públicas iniciais
Cenário favorável para IPOs no Brasil com queda nas taxas de juros.
A expectativa de reabertura da janela de IPOs (ofertas públicas iniciais) no Brasil está ganhando força, como aponta Renato Cohn, CFO do BTG Pactual. Após quatro anos de restrições devido a taxas de juros elevadas, a possibilidade de um novo ciclo de ofertas pode representar uma virada significativa para o mercado de capitais brasileiro.
O cenário atual para os IPOs no Brasil
Nos últimos anos, a combinação de uma Selic alta, que chegou a 15%, gerou um ambiente desafiador para as empresas que desejavam abrir seu capital. Contudo, com a expectativa de queda nas taxas de juros, o cenário começa a se modificar. Cohn destaca que uma taxa básica em torno de 12% ao final do ano pode propiciar um ambiente mais confortável tanto para a concessão de crédito quanto para novas aberturas de capital. Essa mudança é crucial em um momento em que a economia brasileira busca recuperação e novas fontes de investimento.
A retomada dos IPOs pode ser também uma resposta ao desempenho positivo do BTG, que, mesmo em um cenário econômico adverso, conseguiu registrar um lucro recorde de R$ 16,7 bilhões. O CFO menciona que a diversificação de investidores, especialmente estrangeiros, em busca de ativos no Brasil, é um indicativo da demanda existente para novas ofertas.
Expectativas de novas aberturas de capital
Recentemente, o PicPay foi um marco ao levantar US$ 500 milhões, quebrando um jejum de IPOs fora do país. O AgiBank também entra na dança, com a previsão de levantar até US$ 785,5 milhões em sua oferta, criando um efeito dominó que pode beneficiar outras empresas dispostas a abrir capital. Cohn afirma que há uma série de empresas prontas para entrar no mercado, o que pode reforçar a confiança dos investidores.
Entretanto, a proximidade de um ano eleitoral no Brasil pode trazer incertezas. Históricos mostram que os períodos eleitorais costumam provocar volatilidades nas taxas de juros e nas projeções econômicas. Apesar disso, Cohn mantém uma perspectiva otimista, ressaltando que o BTG tem conseguido exceder suas metas de retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) nos últimos anos, mesmo diante das dificuldades.
Impacto da redução da taxa de juros
Com a queda da taxa de juros, as vantagens competitivas do BTG se tornam ainda mais evidentes. A possibilidade de oferecer crédito em condições mais favoráveis não apenas para o BTG, mas para o sistema financeiro como um todo, pode incentivar o crescimento econômico. Cohn destaca que, para manter um ROE em torno de 25% em 2026, o lucro precisa crescer de maneira consistente.
Esse modelo de negócio, que distribui 25% do lucro aos acionistas, exige um crescimento robusto do patrimônio líquido para que o banco continue atraente para investidores.
Considerações finais
A reabertura da janela de IPOs no Brasil parece promissora, alinhando-se a um cenário de queda nas taxas de juros e uma demanda crescente por investimentos. Mesmo com as incertezas eleitorais, a posição do BTG Pactual e sua capacidade de adaptação às mudanças de mercado podem ser fatores decisivos para o sucesso das futuras ofertas públicas. Com um ambiente mais favorável, espera-se que novas empresas sigam o exemplo de sucesso, contribuindo para um mercado de capitais mais dinâmico no Brasil.
Fonte: www.moneytimes.com.br