Expectativa de aceleração da inflação em janeiro e o IPCA de 2026

Análise das pressões e projeções para a inflação no início do ano

A inflação em janeiro deve mostrar uma aceleração, impactando o cenário econômico e as decisões do Banco Central.

A inflação brasileira apresenta uma tendência de aceleração no início de 2026, com uma projeção de 0,32% para o mês de janeiro, acumulando 4,43% nos últimos 12 meses. Essa oscilação permanece dentro da meta estabelecida pelo Banco Central, que oscila entre 1,5 pontos percentuais para cima ou para baixo do alvo de 3%. O dado oficial do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, às 9h.

Pressões inflacionárias e suas fontes

A análise das expectativas de inflação revela que a pressão em janeiro deve vir principalmente do grupo de bens industriais, com destaque para o aumento no preço do etanol. Além disso, a alimentação em domicílio terá um impacto significativo, contribuindo para um crescimento moderado dos preços, marcando o segundo mês consecutivo de aumento. Segundo Júlio Barros, economista do Banco Daycoaval, a projeção de 0,31% em janeiro reflete essas dinâmicas de mercado.

Por outro lado, Luciano Costa, economista da Monte Bravo, projeta uma alta um pouco mais elevada de 0,35%, enfatizando a combinação de fatores como a sazonalidade de alimentos, o aumento das tarifas de transporte público e o término dos descontos aplicados durante a Black Friday. Esse cenário também é potencializado pela elevação do ICMS sobre os combustíveis, que deve repassar custos ao consumidor final.

Expectativas variadas para o IPCA

A Warren Investimentos, em sua estimativa mais pessimista, aponta uma alta de 0,37% no IPCA, o que elevaria a inflação acumulada em 12 meses para 4,49%. Em contraste, o grupo de serviços parece menos pressionado, apresentando deflação, especialmente em passagens aéreas. A bandeira verde acionada em janeiro e a redução de tarifas de transporte por aplicativo devem ajudar a mitigar a pressão inflacionária.

Adicionalmente, o núcleo da inflação, um indicador crítico para o Banco Central, deverá mostrar sinais de desaceleração. A média das leituras subjacentes deve cair de 0,46% em dezembro para 0,40% em janeiro, e em termos anuais, os núcleos devem descer de 4,6% para 4,4%.

O futuro da política monetária e suas implicações

A elevada inflação continua a ser um desafio significativo para o Banco Central, que já sinaliza um possível corte nas taxas de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para março. Barros acredita que um corte de 0,25% é o mais provável, mas ressalta que surpresas nos dados de inflação podem intensificar as expectativas de um corte mais profundo.

Por sua vez, Costa sugere que a trajetória da inflação é compatível com um corte de 50 pontos base, reduzindo a Selic para 14,5%. Para o restante de 2026, o consenso entre as projeções é de uma inflação em torno de 4%, com alguns analistas prevendo 3,8% e a Warren estimando 4,20%.

Conclusão

A expectativa de aceleração da inflação em janeiro e as projeções para o IPCA são reflexos de um cenário econômico dinâmico, onde a pressão sobre preços e os ajustes na política monetária do Banco Central desempenham papéis cruciais na definição das direções futuras da economia brasileira.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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