A medida impacta diretamente o transporte aéreo internacional.
A falta de combustível leva Cuba a interromper voos, agravando sua crise energética.
A situação em Cuba se torna cada vez mais crítica, com a suspensão do abastecimento de querosene de aviação, programada para iniciar em 10 de fevereiro de 2026. Essa decisão, anunciada pela aviação civil cubana, impacta significativamente as companhias aéreas que operam voos internacionais, forçando-as a implementar escalas técnicas em outros países para garantir o reabastecimento de seus aviões. Embora os voos regionais continuem, a limitação do Jet Fuel coloca um fardo adicional sobre o já debilitado setor de transportes da ilha.
A Origem da Crise Energética em Cuba
Cuba tem enfrentado uma crise energética profunda, exacerbada pela interrupção do fornecimento de petróleo da Venezuela, que ocorreu após a captura do presidente Nicolás Maduro no início de janeiro. Esse rompimento tem raízes na complexa relação entre os dois países, que historicamente se apoiaram mutuamente em diversos setores, especialmente na energia. Além disso, a pressão dos Estados Unidos sobre os países que comercializam petróleo com Cuba tem aumentado, levando a ameaças de sanções e tarifas. O governo norte-americano alega que Cuba representa uma ‘ameaça excepcional’ à sua segurança, dada a proximidade geográfica da ilha com a Flórida.
A Reação das Companhias Aéreas e Medidas Emergenciais
Diante da falta de combustível, várias companhias aéreas já tomaram medidas para mitigar o impacto. A Air Canada, por exemplo, anunciou a interrupção imediata de todos os seus voos para Cuba após alertas sobre a confiabilidade do fornecimento de combustível. Para facilitar o retorno de cerca de 3 mil clientes que ainda estão na ilha, a companhia irá operar voos de traslado sem passageiros, utilizando técnicas de ‘tankering’, o que significa que o combustível será transportado de sua origem. Ao mesmo tempo, a Air France confirmou que suas rotas continuarão com escalas técnicas em outros destinos do Caribe.
O governo cubano está implementando um conjunto de medidas emergenciais para lidar com a situação. Essas ações incluem a redução da carga horária de trabalho para quatro dias semanais e a ampliação do trabalho remoto, além de restrições na venda de combustíveis. Essas estratégias visam não apenas enfrentar a crise imediata, mas também preparar a população para um futuro incerto.
Consequências Sociais e Econômicas
As consequências dessa crise vão além do setor de aviação. A situação energética em Cuba afeta diretamente a vida cotidiana dos cidadãos, que já enfrentam dificuldades em diversas áreas. A redução da jornada de trabalho pode ser uma tentativa de otimizar o uso de energia, mas também pode levar a uma diminuição na produtividade e no rendimento econômico. A escalada das tensões entre Cuba e os EUA promete continuar afetando a possibilidade de recuperação da ilha, com o governo cubano buscando alternativas para a importação de petróleo e a diversificação de suas fontes de energia.
Conclusão
Em suma, a suspensão do abastecimento de combustível em Cuba marca mais um capítulo na longa história de desafios enfrentados pela ilha. A interdependência entre as crises energética e econômica torna urgentemente necessário um diálogo não apenas interno, mas também externo, que possa levar a soluções sustentáveis e duradouras. O futuro de Cuba dependerá de sua capacidade de adaptação e inovação frente a estas adversidades.
Fonte: www.metropoles.com