Avaliação da agência destaca riscos crescentes e incertezas financeiras.
A Fitch Ratings rebaixou pela segunda vez o rating da Raízen (RAIZ4) em um único dia, evidenciando a fragilidade financeira da companhia.
A Raízen, uma joint venture entre o conglomerado brasileiro Cosan e a petrolífera Shell, enfrenta um cenário desafiador, evidenciado pelo recente rebaixamento de seu rating pela Fitch Ratings. Na última segunda-feira, a agência rebaixou a nota da companhia de ‘B’ para ‘CCC’, o que indica um nível elevado de risco de crédito. Essa mudança ocorreu apenas algumas horas após um primeiro rebaixamento, refletindo a deterioração da situação financeira da empresa.
Contexto da Avaliação da Raízen
A Fitch destacou que o rebaixamento foi motivado pela informação de que a Raízen havia contratado assessores financeiros para explorar alternativas estratégicas com o objetivo de fortalecer sua liquidez e otimizar sua estrutura de capital. Essa informação, embora já estivesse disponível publicamente, não foi considerada no primeiro rebaixamento da agência. A Raízen, que opera em um mercado competitivo de açúcar e etanol, tem enfrentado dificuldades operacionais e financeiras, evidenciadas por perdas trimestrais significativas e um elevado nível de dívida.
Nos últimos trimestres, a empresa reportou um prejuízo líquido superior a R$ 2,3 bilhões, enquanto sua dívida líquida atingiu R$ 53,4 bilhões. A situação se agravou devido a incertezas relacionadas ao suporte financeiro que pode ser oferecido pelos acionistas controladores, Cosan e Shell. A Fitch também cortou os ratings nacionais de longo prazo e de várias emissões de debêntures da Raízen, refletindo a crescente preocupação em relação à capacidade de honrar compromissos financeiros.
Detalhes do Rebaixamento
Além do rebaixamento dos Issuer Default Ratings (IDRs) de longo prazo para ‘CCC’, a Fitch também rebaixou as notas seniores sem garantia real da Raízen Fuels Finance S.A. e retirou a Observação Negativa de todas as classificações. A agência S&P Global Ratings também rebaixou o rating da Raízen para ‘CCC+’ e a colocou em observação de crédito negativa, citando o aumento do risco de reestruturação da dívida, que pode ser considerado equivalente a um default.
A Fitch enfatizou que as incertezas sobre a disposição dos acionistas em prover suporte financeiro e as decisões que a companhia tomará nos próximos meses são cruciais para sua recuperação. O desempenho do negócio de açúcar e etanol deve continuar sendo afetado, o que impactará negativamente os resultados da empresa, apesar de alguma melhora nas margens na distribuição de combustíveis no Brasil.
Expectativas Futuras
A situação da Raízen é preocupante e as projeções para os próximos anos não são otimistas. A S&P projeta um EBITDA em torno de R$ 11 bilhões para 2026, com uma alavancagem prevista entre 5,0x e 5,5x. Nesse cenário, a continuidade das operações e a capacidade de atender às obrigações financeiras dependem fortemente das decisões estratégicas que a empresa e seus acionistas adotarem nos próximos meses. A transição para a categoria ‘CCC’ pela Fitch indica um risco substancial de crédito, com a possibilidade de inadimplência tornando-se uma realidade que os investidores devem monitorar de perto.
Conclusão
O rebaixamento do rating da Raízen é um reflexo da fragilidade financeira da companhia e das incertezas que cercam suas operações e a disposição de seus acionistas em oferecer suporte financeiro. O cenário para a Raízen se mostra desafiador, e as próximas ações da empresa serão cruciais para determinar sua trajetória futura no mercado.
Fonte: www.moneytimes.com.br