A Europa se vê diante de sua terceira onda de calor neste verão, onde vegetação extremamente seca e temperaturas elevadas estão contribuindo para incêndios florestais que se alastram da Península Ibérica até a França. Na segunda-feira (27), bombeiros lutaram contra grandes incêndios que ameaçavam a cidade de Bordeaux, enquanto equipes Na Espanha batalhavam para controlar focos de chamas que persistem há mais de uma semana, resultado de um verão marcado por intenso calor e seca na Europa Ocidental.
Além disso, novos incêndios florestais surgiram no oeste do Canadá, onde as florestas de Ontário continuam a arder. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, classificou a atual temporada de queimadas como uma das mais severas já registradas. Comunidades, incluindo algumas das Primeiras Nações, foram evacuadas de suas terras neste verão, evidenciando o impacto das chamas no país.
Até o momento, cerca de 2,95 milhões de hectares de terra foram consumidos pelas chamas, o que equivale a 29,5 mil km². Esse número já supera a média dos últimos dez anos, que era de aproximadamente 2,55 milhões de hectares (25 mil km²). O Canadá está registrando mais focos ativos de incêndio em comparação a períodos anteriores, refletindo a gravidade da situação.
Na França, aproximadamente 220.000 pessoas foram evacuadas devido aos incêndios, enquanto Na Espanha, mais de 75.000 pessoas foram orientadas a deixar suas casas e 30.000 receberam ordens para permanecer em locais seguros. Os incêndios afetaram as províncias centrais de Madri, Ávila e Toledo, com as chamas devastando mais de 50.000 hectares (500 km²) em Ávila, tornando-se o maior incêndio florestal da história recente da Espanha, conforme indicado pela ministra do Meio Ambiente, Sara Aagesen. Outro incêndio na província de Castellón, no leste da Espanha, destruiu mais de 6.500 hectares (650 km²).
Cientistas apontam que os verões mais quentes e secos na região do Mediterrâneo elevam o risco de incêndios florestais. Uma vez que se iniciam, a vegetação seca contribui para a rápida propagação das chamas. Dados oficiais indicam que 10.650 mortes em excesso foram registradas durante a onda de calor que afetou o oeste europeu no final de junho.
A crescente frequência de incêndios florestais, possivelmente ligada às Mudanças Climáticas, sugere que as populações estarão mais expostas à fumaça das queimadas. Os efeitos à saúde ao longo dos anos ainda necessitam de investigação aprofundada. Pesquisadores estão estudando as consequências a longo prazo da presença de partículas de fumaça em fontes de água, na agricultura e na criação de gado, além de avaliar se a fumaça dos incêndios intensifica os efeitos adversos do calor extremo.