Os planos de Elon Musk para centros de dados no espaço podem consolidar um monopólio americano.
Os planos de Elon Musk para centros de dados espaciais levantam preocupações sobre a soberania digital da Europa.
Elon Musk está novamente no centro das atenções, desta vez com suas ambições de levar centros de dados para o espaço. Essa proposta, que visa unir sua empresa SpaceX com a xAI, levanta questões cruciais sobre a soberania digital da Europa e a potencial dependência de uma infraestrutura americana. Enquanto a corrida global por inteligência artificial (IA) e computação em nuvem avança, especialistas afirmam que a Europa pode estar à beira de uma crise de soberania.
A nova corrida espacial pela soberania digital
A ideia de que os centros de dados possam ser movidos para o espaço não é apenas uma inovação; é uma questão de segurança e dependência tecnológica. Os centros de dados, que tradicionalmente consomem enormes quantidades de energia e espaço, poderiam, ao serem deslocados para o espaço, utilizar energia solar e oferecer maior segurança. Contudo, essa ideia ainda está a duas décadas de se tornar realidade, segundo especialistas do Instituto Europeu de Política Espacial (ESPI).
Um dos principais argumentos em favor dessa inovação é a segurança. Javier Izquierdo, da Hispasat, destaca que o espaço oferece uma proteção superior, pois os dados não precisam ser transferidos de volta para a Terra, o que reduz riscos de ataques cibernéticos. Porém, o desafio de gerenciar o calor em um ambiente sem fluidos para dissipar a temperatura pode criar uma infraestrutura complexa e cara, potencialmente limitada pela capacidade atual dos foguetes SpaceX.
Desafios tecnológicos e econômicos
Um dos obstáculos mais significativos é o custo de lançamento. O sucesso do Starship, que ainda não alcançou a órbita, é crucial para tornar os lançamentos economicamente viáveis. Além disso, a manutenção de componentes nos centros de dados espaciais representa outro desafio, já que a radiação pode danificá-los em um prazo de cinco anos.
Embora a visão de Musk sobre centros de dados espaciais seja audaciosa, a realidade é que, para que isso se concretize, a Europa deve agir rapidamente. A falta de um plano concreto em relação a essa tecnologia pode resultar em uma repetição do que já ocorre no setor de nuvem, dominado por empresas americanas como Amazon e Google. O ato de nuvem dos EUA permite que empresas americanas interrompam serviços globalmente, aumentando ainda mais a vulnerabilidade da Europa em relação a sua soberania digital.
A necessidade de ação europeia
As vozes na Europa pedem que a região desenvolva suas capacidades em IA e computação espacial para evitar que a dependência americana se torne uma norma. A falta de um compromisso coletivo pode deixar a Europa em uma posição precária, onde a visão do futuro digital é moldada por interesses externos. Izquierdo enfatiza a necessidade de um foco em segurança cibernética, já que a proteção de dados em órbita pode ser mais robusta do que na Terra.
Embora a implementação de centros de dados no espaço possa demorar décadas, há possibilidade de que aplicações como a computação em borda possam surgir em menos de cinco anos, dependendo do progresso da engenharia térmica e dos custos de lançamento. Isso torna essencial para a Europa não apenas desenvolver tecnologia, mas também garantir que suas empresas tenham apoio institucional e acesso a clientes.
As empresas europeias, como a Thales, já estão investigando a tecnologia de centros de dados espaciais, mas correm o risco de se tornarem esforços isolados sem coordenação ou apoio adequados. Portanto, a questão não é se esses centros farão sentido econômico, mas sim se as nações podem esperar até que se tornem viáveis para agir. Caso contrário, a infraestrutura de computação orbital pode já estar dominada por países que agirem primeiro.