Uefa expressa desconfiança em Gianni Infantino após recuo da Fifa

Neste sábado (1º), a Uefa anunciou que perdeu a confiança no presidente da Fifa, Gianni Infantino, após a entidade de futebol mundial recuar de um projeto que visava vender uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo. A proposta gerou forte reação entre as confederações regionais, que se mostraram surpresas com a ideia de levantar até 4,2 bilhões de dólares por meio da venda de cerca de 20% da participação a investidores privados.

Esse percentual seria associado a uma nova unidade que ficaria responsável pela organização de eventos da Fifa, incluindo a Copa do Mundo. O rápido recuo da Fifa expôs um crescente desconforto em relação à liderança de Infantino, levando dirigentes do futebol a exigir maior fiscalização sobre decisões que podem afetar a governança e o futuro comercial do esporte.

A Uefa, que conta com 55 membros, rejeitou a proposta da Fifa por unanimidade no início da semana. A entidade europeia considerou a retirada do projeto como uma vitória para o futebol, mas destacou que o processo de reconstruir a confiança na Fifa ainda está em seus estágios iniciais. Em um comunicado, a Uefa afirmou que a atual liderança da Fifa perdeu a confiança não apenas da Uefa, mas também de muitos outros membros da comunidade do futebol.

Além disso, a Uefa agradeceu a torcedores, ligas, clubes, jogadores, associações e confederações que se opuseram ao projeto. A entidade enfatizou que a transparência é fundamental e que não se pode continuar com projetos secretos elaborados por pessoas sem identificação, que trazem benefícios duvidosos para o futebol. A Uefa pediu a responsabilização dos envolvidos nas decisões controversas.

A resistência ao projeto levantou questionamentos sobre o capital político de Infantino, que enfrenta desafios antes do Congresso da Fifa, agendado para março no Marrocos. O analista de marketing esportivo Bob Dorfman comentou que o comportamento de Infantino tem sido egomaníaco e que suas decisões geraram descontentamento entre várias associações-membro.

A rapidez com que a situação se alterou é notável, especialmente considerando que ocorreu menos de duas semanas após Infantino ter celebrado a Copa do Mundo mais bem-sucedida em termos comerciais da história. O economista Victor Matheson, especialista em negócios esportivos, observou que é raro que a trajetória política de uma pessoa mude tão rapidamente, com Infantino passando de estar no auge do sucesso a lutar pela sua sobrevivência política em um curto espaço de tempo.

PUBLICIDADE

VIDEOS

Relacionadas: