Declarações do presidente da Câmara durante evento do BTG Pactual.
Em meio a discussões no Congresso, Motta reafirma a autonomia do Banco Central e descarta novas medidas tributárias para 2026.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, fez uma clara afirmação sobre a manutenção da autonomia do Banco Central (BC) nesta terça-feira (10). Durante sua participação na CEO Conference do BTG Pactual, Motta declarou que, enquanto estiver à frente da Casa, não pautará qualquer revisão sobre a autonomia da instituição. Ele enfatizou que essa autonomia tem proporcionado ‘segurança, previsibilidade e confiança’ nas instituições do país.
A Importância da Autonomia do Banco Central
A autonomia do Banco Central é um tema recorrente no debate econômico brasileiro. Desde a sua implementação, a independência do BC se tornou um pilar para a credibilidade da política econômica do Brasil, permitindo que a instituição tome decisões baseadas em critérios técnicos, sem a pressão política de governos momentâneos. Essa independência é vista como crucial para manter a inflação sob controle e assegurar a estabilidade econômica.
Nos últimos tempos, no entanto, o assunto voltou à tona, especialmente após críticas a decisões recentes do BC. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, defendeu a abertura de discussões sobre a relação entre a autonomia do BC e o sistema financeiro. Apesar disso, Motta deixou claro que não há intenção de levar essa pauta adiante no Congresso.
Prioridades Legislativas e Cenário Econômico
Além de abordar a questão da autonomia do BC, Motta também comentou sobre as principais pautas em discussão no Congresso. Um dos temas centrais é a emenda à Constituição que visa alterar a jornada de trabalho, proposta que já foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. No entanto, Motta demonstrou que o debate sobre essa emenda não será rápido, considerando-a uma pauta delicada com implicações significativas sobre o custo de vida dos trabalhadores.
Outro ponto crucial abordado foi a segurança pública, que deve ganhar destaque na agenda legislativa após o Carnaval. Motta destacou que essa questão é fundamental para garantir ‘a condição de viver bem e em segurança para a população brasileira’, especialmente em um ano eleitoral, onde as demandas sociais por segurança são crescentes.
O Futuro das Políticas Fiscais
Em relação à política fiscal, Motta foi enfático ao declarar que não haverá aumento de tributos ou criação de novos impostos em 2026. Essa afirmativa foi feita considerando o cenário eleitoral e a necessidade de um ambiente econômico mais estável. Propostas de elevação da carga tributária, segundo ele, encontrariam escasso apoio político, podendo agravar a volatilidade no cenário atual.
O governo, por outro lado, tem promovido a liberação de emendas parlamentares em um volume inédito para o período, com a expectativa de que cerca de R$ 1,5 bilhão já tenha sido liberado até fevereiro. Motta defendeu essa prática, ressaltando que as emendas são essenciais para garantir que recursos cheguem a regiões que frequentemente são negligenciadas, reforçando a necessidade de transparência e rastreabilidade nos repasses.
Conclusão
A postura de Hugo Motta reflete um esforço por parte da Câmara dos Deputados para manter a estabilidade política e econômica em um ano que promete ser turbulento. A ênfase na autonomia do Banco Central, nas emendas parlamentares e na segurança pública são indicativos de um Congresso que busca responder às demandas sociais, enquanto navega por um cenário político desafiador. Assim, as decisões que serão tomadas nas próximas semanas poderão ter impactos significativos sobre a economia e a política brasileira em 2026.
Fonte: www.moneytimes.com.br
Fonte: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil