Crescimento surpreendente em lançamentos e vendas, mesmo com juros altos
O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com recordes em lançamentos e vendas, desafiando a lógica de juros elevados.
O crescimento inesperado do mercado imobiliário
O mercado imobiliário brasileiro apresentou um desempenho surpreendente em 2025, registrando um aumento notável em lançamentos e vendas de imóveis residenciais verticais, apesar das altas taxas de juros. As informações foram divulgadas pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que revelou que, ao longo do ano, foram lançadas 453.005 unidades, representando um crescimento de 10,6% em relação ao ano anterior. O valor geral dos lançamentos alcançou R$ 292,3 bilhões.
Contexto do setor imobiliário no Brasil
Historicamente, o mercado imobiliário brasileiro é sensível às flutuações das taxas de juros, que influenciam diretamente o acesso ao crédito e a capacidade de compra dos consumidores. Em 2025, mesmo com a Selic elevada, as incorporadoras conseguiram reagir à demanda aquecida. Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, destacou que a capacidade de inovação das empresas e a manutenção da demanda foram cruciais para o desempenho do setor.
Adicionalmente, o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) teve um impacto significativo, respondendo por uma parte substancial dos lançamentos e vendas. O aumento na oferta de imóveis dentro deste programa, que visa facilitar a aquisição de habitação pela população de baixa renda, contribuiu para a manutenção do aquecimento do mercado.
Detalhes sobre lançamentos e vendas
No quarto trimestre de 2025, o setor registrou a venda de 109 mil unidades residenciais, uma marca inédita para um único trimestre. No total do ano, as vendas somaram 426.260 unidades, um incremento de 5,4% em relação a 2024. O valor geral de vendas no ano atingiu R$ 264,2 bilhões, com um crescimento de 3,5% no comparativo anual.
Regionalmente, o Sudeste liderou as vendas com 220.087 unidades, seguido do Sul (89.769), Nordeste (80.111), Centro-Oeste (23.540) e Norte (12.753). O estoque de imóveis disponíveis ao final do ano aumentou 7,2%, totalizando 347.013 unidades, mas o tempo de escoamento se manteve em 9,8 meses, um indicativo de um mercado relativamente saudável.
Perspectivas para o futuro
As expectativas para 2026 são otimistas, com projeções de uma possível queda nas taxas de juros e uma melhora nas condições de crédito, o que pode impulsionar ainda mais o mercado. O governo estipulou a meta de contratar 3 milhões de unidades pelo MCMV até o final do ano, o que, aliado a um forte nível de intenção de compra, pode sustentar a demanda no setor.
A valorização dos imóveis também é um fator a ser considerado, pois os preços vêm se distanciando dos índices de inflação, tornando a aquisição de imóveis uma opção atrativa para os investidores. Os dados indicam que a valorização real dos imóveis tem sido alta, o que pode continuar a impulsionar o mercado imobiliário em 2026.
No geral, a combinação de um cenário econômico desafiador, a inovação das incorporadoras e o apoio governamental são elementos que moldam um futuro promissor para o mercado imobiliário brasileiro.