Expectativas otimistas para as ações do Bradesco refletem em novas análises
O UBS BB elevou o preço-alvo das ações do Bradesco, refletindo otimismo no mercado financeiro.
A recente análise do UBS BB sobre o Bradesco (BBDC4) destaca um cenário otimista para as ações do banco, que, após um aumento significativo de 70% no último ano, ainda oferece potencial de valorização. A instituição elevou o preço-alvo da ação de R$ 25 para R$ 27, o que representa um aumento projetado de 28%.
Perspectivas para o setor financeiro
Para entender melhor o contexto das ações do Bradesco, é importante considerar os desafios e oportunidades que o setor financeiro enfrenta atualmente. O cenário econômico brasileiro, marcado por uma taxa Selic ainda elevada, em torno de 12%, impacta diretamente as margens de lucro dos bancos. A relação preço sobre valor patrimonial (P/VP) atualmente em 1,2 e o preço sobre lucro (P/E) de 7,6 refletem a percepção do mercado sobre a valorização futura da instituição.
Resultados e qualidade dos ativos
Os resultados mais recentes do Bradesco mostram um lucro de R$ 6,5 bilhões, alinhado com as expectativas de mercado. A qualidade dos ativos é um fator positivo, com a inadimplência de créditos vencidos entre 15 e 90 dias estabilizada em 3,4%, e o índice de não produtividade de créditos acima de 90 dias (NPL) mantendo-se em 4,1%. Além disso, o Bradesco Seguros, que representa uma parte significativa do lucro do banco, teve um desempenho sólido, contribuindo com 41% do resultado total em 2025.
No entanto, o JPMorgan também revisou suas projeções, reduzindo o lucro estimado para 2026 em 2,5%, para R$ 27,5 bilhões, abaixo do consenso da Bloomberg. Uma análise mais cuidadosa indica que, embora o Bradesco tenha um dividend yield interessante de 7,6% e uma expectativa de crescimento de lucro de cerca de 12% para 2026 e 2027, a relação risco-retorno não é tão favorável em comparação a outros bancos.
Expectativas futuras e desafios
Os analistas advertem que a rentabilidade do Bradesco pode ter atingido um teto estrutural, difícil de ultrapassar. A previsão é que, sem uma melhora significativa na qualidade da carteira de créditos ou uma redução expressiva nas taxas de juros, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) poderá se fixar entre 17% e 17,5%. A presença de ativos fiscais diferidos (DTA) continua a impactar a rentabilidade em 4 a 5 pontos percentuais em comparação ao Itaú, que frequentemente é considerado um benchmark no setor. Além disso, a pressão sobre as receitas geradas pela otimização das despesas operacionais pode gerar um impacto negativo no futuro.
Conclusão
Em resumo, enquanto o UBS BB vê potencial de alta nas ações do Bradesco, a análise dos diversos fatores que afetam a rentabilidade e o desempenho futuro do banco é crucial. O cenário atual apresenta tanto desafios quanto oportunidades, e a performance das ações dependerá não apenas da gestão interna do Bradesco, mas também das condições econômicas mais amplas que o Brasil enfrenta nos próximos anos.
Fonte: www.moneytimes.com.br