Tratado de livre comércio passa pela comissão e segue para votação no plenário
A comissão do Parlasul aprovou o acordo Mercosul-UE, que segue agora para o plenário da Câmara.
A aprovação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia na comissão do Parlasul marca um passo significativo nas relações comerciais entre essas duas potências. Composta por 27 deputados federais e 10 senadores, a comissão agora encaminha o texto para votação no plenário da Câmara dos Deputados, onde o deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP) assumirá a relatoria do projeto. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já sinalizou a intenção de priorizar essa votação, especialmente diante das incertezas relacionadas ao aumento de tarifas promovido pelo governo dos Estados Unidos.
Contexto histórico do acordo
Assinado em janeiro, em Assunção, Paraguai, este acordo é visto como uma das principais bandeiras do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na política internacional, representando mais de 20 anos de negociações entre os países do Mercosul e a União Europeia. A pactuação não apenas busca facilitar o comércio, mas também inserir os países do Mercosul em um contexto global mais competitivo, promovendo um aumento significativo nas trocas comerciais entre as partes.
O acordo reunirá cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões, o que o torna um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. Produtos que são considerados sensíveis, como carnes, açúcar, etanol e veículos, terão regras específicas com cotas e mecanismos de proteção, assegurando que os setores mais vulneráveis não sejam severamente afetados pela abertura do mercado.
Detalhes e próximos passos
Apesar de já ter sido aprovado pela comissão, o acordo ainda precisa passar pelo crivo dos parlamentos dos países envolvidos antes de entrar em vigor. No Brasil, o suporte da bancada no Parlasul é uma das etapas iniciais, mas crucial, para que a implementação do tratado ocorra. O texto prevê uma redução gradual de tarifas ao longo de até 30 anos, com a União Europeia se comprometendo a eliminar taxas sobre cerca de 95% dos bens exportados, o que representa 92% do valor importado do Brasil.
Com compromissos ambientais alinhados ao Acordo de Paris, o tratado também reflete uma preocupação com as questões ambientais, estabelecendo um marco importante para a sustentabilidade nas relações comerciais entre as partes envolvidas. O governo brasileiro, liderado por Lula, espera que o acordo com a UE entre em vigor em março deste ano, o que poderá trazer novas oportunidades para o mercado nacional.
Consequências e impacto futuro
A aprovação do acordo Mercosul-UE poderá trazer benefícios significativos para o Brasil, especialmente em termos de acesso a mercados europeus e a possibilidade de aumentar as exportações. Contudo, os setores sensíveis devem se preparar para a concorrência internacional, uma vez que a redução de tarifas poderá abrir o mercado brasileiro para produtos estrangeiros. A balança comercial poderá ser afetada, e é essencial que o Brasil esteja preparado para proteger seus interesses econômicos enquanto usufrui das vantagens dessa nova relação comercial.
Conclusão
O avanço do acordo Mercosul-UE representa uma importante vitória política e econômica para o Brasil e para os países do Mercosul, refletindo um desejo de inserção global mais robusta. A urgência com que a Câmara dos Deputados está tratando este tema evidencia a relevância da negociação e o impacto que ela pode ter no futuro comercial do país.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: UE avança na Câmara dos Deputados